Influência da ansiedade materna na percepção da qualidade de vida relacionada à saúde bucal em pré-escolares de Pelotas/RS
Resumo
A ansiedade ao tratamento odontológico está relacionada com pior condição de saúde bucal, uma vez que indivíduos com medo tendem a descuidar de sua saúde bucal e evitar o atendimento, e também com maior presença de impactos na qualidade de vida. É possível que a ansiedade dos pais também influencie a saúde bucal dos filhos, impactando negativamente a percepção destes sobre a qualidade de vida relacionada à saúde bucal das crianças. O objetivo desse estudo transversal foi avaliar a prevalência de ansiedade odontológica entre as mães e sua influência na percepção sobre a qualidade de vida relacionada à saúde bucal de seus filhos. Foram incluídas 608 crianças de 2 a 5 anos e suas mães, presentes em Unidades de Saúde de Pelotas/RS, durante o dia da Campanha Nacional de Vacinação. As mães responderam a um questionário contendo informações socioeconômicas, demográficas e sobre uso de serviços odontológicos. A ansiedade ao tratamento odontológico foi mensurada pela Dental Anxiety Scale, de Corah, e a qualidade de vida relacionada à saúde bucal das crianças com o Early Childhood Oral Health Impact Scale (ECOHIS).O exame clínico das crianças foi realizado por Cirurgiões-dentistas calibrados quanto à condição da coroa (índice ceo-d da OMS), quanto à presença de traumatismos dentários (O´brien) e de maloclusão. Os dados foram avaliados através do modelo de regressão de Poisson, usando variância robusta (RR:95%IC, p≤ 0,05). A prevalência de ansiedade odontológica entre as mães foi 40,5%. O escore médio do ECOHIS foi 3,3 (DP=± 5,4) e o total variou de 0 a 42 (máximo possível 52). Após análise multivariada, encontrou-se que o fato de a mãe ser ansiosa causou maior média de impactos no domínio estresse dos pais avaliado pelo ECOHIS (RR=1,60; IC95% 1,20-2,13). A associação da ansiedade com maiores médias no domínio funcional e no escore total, encontrada na analise bivariada, não se confirmou na múltipla. Com relação ao escore total do ECOHIS, foi influenciado pela presença de cavidades de cárie (RR=2,26; IC95% 1,75-2,93), baixa escolaridade materna (RR=1,32; IC95% 1,02-1,71), uso não regular de serviço odontológico pela mãe (RR=1,37; IC95% 1,06-1,77) e com o fato de a criança nunca ter ido ao dentista (RR=0,46; IC95% 0,35-0,61). Concluiu-se que a percepção das mães sobre a qualidade de vida relacionada á saúde bucal das crianças é influenciada pela condição clínica, por características socioeconômicas e utilização de serviços odontológicos. Mães ansiosas tendem a se sentir mais culpadas e aborrecidas com relação aos problemas bucais de seus filhos.

