Uso e necessidade de prótese dentária aos 24 anos numa coorte de nascimentos: prevalência e fatores associados
Resumo
O objetivo do presente estudo foi verificar a prevalência do uso e da necessidade de prótese dentária em uma população de adultos jovens e avaliar sua associação com a trajetória econômica das famílias, as condições de saúde bucal e de utilização de serviços odontológicos ao longo da vida do indivíduo. Em 1982, todos os nascimentos hospitalares ocorridos em Pelotas foram identificados e estes indivíduos foram acompanhados por inúmeras vezes. Em 2006, uma amostra de 720 indivíduos pertencentes a esta coorte foi visitada para realização de exame bucal e aplicação de questionário incluindo questões de uso de serviços odontológicos, hábitos e comportamentos relativos à saúde bucal. Foi calculada a prevalência dos desfechos e utilizada Regressão de Poisson para estimar os fatores de risco à necessidade de prótese. A prevalência de necessidade e uso de prótese foi de 29,7% e 2,1% respectivamente. A análise multivariável mostrou que a trajetória de pobreza sempre ao longo da vida [RP= 1,56 IC95% (1,08-2,26)], a baixa escolaridade materna ao nascer (p=0,023), a baixa renda familiar ao nascimento [RP= 1,37 (1,01-1,86)], a não recepção de instrução de higiene oral por parte do dentista aos 15 anos [RP=1,64 IC95% (1,11-2,41)] e a presença de cárie pelo CPO-D (p<0,001) foram associadas à necessidade de prótese aos 24 anos. Os resultados deste estudo suportam a hipótese que fatores socioeconômicos, comportamentais e determinantes clínicos estão associados a necessidade de prótese dentária

