Isolamento, identificação e suscetibilidade in vitro de leveduras isoladas da cavidade oral de fêmeas caninas
Resumo
Objetivou-se avaliar a cavidade oral de fêmeas caninas errantes de Pelotas-RS,
isolar e identificar leveduras de três sítios desta cavidade, comparar duas técnicas
de colheita da mucosa gengival (swab e cureta) e testar a suscetibilidade in vitro
destas leveduras frente a anti-sépticos orais utilizados na rotina odontológica de
pequenos animais e seus princípios ativos. Foram avaliadas 59 fêmeas caninas,
errantes, SRD, provenientes de Pelotas/RS. Os animais foram selecionados
aleatoriamente, e distribuídos em três grupos de idade conforme avaliação da
arcada dentária. Estes foram avaliados quanto à conformidade cranial, presença de
cálculo dentário, fraturas dentárias, maloclusão, halitose, sangramento gengival e
mensuração da profundidade de sulco peridontal. As amostras foram obtidas da
mucosa gengival, biofilme dental e sulco periodontal, com diferentes formas de
coletas: swab, cureta, sonda periodontal milimetrada e ponta de membrana em éster
de celulose. O teste de suscetibilidade in vitro foi realizado pela técnica de
microdiluição em caldo testando o produto A (0,12% de gluconato de clorexidina,
0,12% de cloreto de benzalcônio e 0,10% de extrato de clorofila) e, o produto B
(0,2% de cloreto de benzalcônio, 1% de tintura de própolis e 0,5% de aroma hortelãpimenta)
frente a 15 leveduras isoladas. Também foram avaliados os princípios
ativos gluconato de clorexidina, cloreto de benzalcônio e tintura de própolis
isoladamente. As fraturas dentárias foram mais frequentes nos animais com seis
anos ou mais (p=0,0030). Nos cães com até dois anos a presença de cálculo
dentário aresentou-se com menor frequência (p=0,0000) em relação aos outros dois
grupos. Na relação entre o número de locais de isolamento com idade, conformidade
cranial, presença de fratura, cálculo dentário, halitose, sangramento gengival e
maloclusão não foi encontrada diferença estatisticamente significativa. Foram
isoladas 61 leveduras, M. pachydermatis (50,82%), Rhodotorula spp. (13,11%), C.
albicans (4,92%), C. catenulata (3,28%), C. famata (1,64%), C. guilliermondii
(1,64%), C. parapsilosis (1,64%), C. intermedia (1,64%), T. asahii (13,11%), T.
mucoide (1,64%) e C. albidus (6,56%) distribuídas em 30 (50,85%) animais. Foi
observada inibição do crescimento de todas as leveduras, em todos os produtos, em
todas as concentrações, com exceção da tintura de própolis que não demonstrou
ação nenhuma nas concentrações testadas. Sendo assim, na avaliação da cavidade
oral das fêmeas caninas predominaram presença de cálculo dentário, fraturas
dentárias e maloclusões. As leveduras isoladas fazem parte da microbiota dos diferentes sítios da cavidade oral das fêmeas caninas estudadas, estando
presentes sem causar alterações. O isolamento de leveduras foi maior naquelas
fêmeas que tinham halitose. Não houve diferença entre as técnicas utilizadas (swab
ou cureta) para colheita de material da mucosa gengival. Os anti-sépticos orais e os
compostos gluconato de clorexidina e o cloreto de benzalcônio foram eficazes frente
às leveduras isoladas da cavidade oral de fêmeas caninas em todas as
concentrações testadas, inclusive nas abaixo da recomendada para uso. Nas
condições estudadas, a tintura de própolis não é recomendada para utilização como
anti-séptico oral frente às leveduras nas concentrações estudadas.

