Avaliação da sobrevida e de marcadores histomorfológicos como potenciais fatores prognósticos para carcinoma de células escamosas em cães e gatos
Resumo
Carcinoma de células escamosas (CCE) é um neoplasma cutâneo maligno
comumente observado no cão e no gato. Especialmente em nosso país, o CCE
representa um problema sério, uma vez que a exposição crônica à radiação
ultravioleta é um dos fatores importantes para o desenvolvimento da doença. Neste
sentido, o presente estudo teve como objetivo estabelecer marcadores
histomorfológicos como fatores prognósticos e determinar o tempo e a estimativa de
sobrevida de cães e gatos portadores de CCEs cutâneos. Foi realizado um
levantamento dos casos de CCEs em cães e gatos diagnosticados no Laboratório
Regional de Diagnóstico da Universidade Federal de Pelotas, durante o período de
1999 a 2009. Foram recuperadas 50 amostras provenientes de biópsias e/ou
necropsias. Do total de casos estudados, 24 animais portadores da doença foram
acompanhados durante um período de um ano. Neste estudo, utilizou-se o grau
histológico e o tempo de sobrevida como critério de avaliação prognóstica. Os
parâmetros histológicos avaliados como: infiltrado linfoplasmacítico peritumoral,
eosinofilia tecidual associada a tumores, índice mitótico, arranjo, invasão para
tecidos adjacentes, êmbolo vascular sanguíneo e/ou linfático, desmoplasia e
quantificação das AgNORs, foram confrontados com o grau histológico e com a
sobrevida dos animais acometidos. Quando os parâmetros histológicos foram
confrontados com a sobrevida, observou-se relação estatística significativa com a
intensidade de invasão para tecidos adjacentes (p<0,05) e, quando confrontados
com o grau histológico, a invasão somente para CCEs pouco diferenciados e a
desmoplasia foram estatisticamente significativos (p<0,05). No presente estudo, a
estimativa de sobrevida para animais portadores de CCEs cutâneos foi 23,4% em
um ano, independentemente de terem sido tratados ou não. A partir dos resultados
obtidos, concluiu-se que a intensidade de invasão é um fator prognóstico preditivo
importante para CCEs cutâneos em cães e gatos. Os demais parâmetros avaliados
não mostraram relação com o grau histológico e/ou com a sobrevida, dessa forma,
não são considerados fatores prognósticos preditivos. O tempo e a estimativa de
sobrevida foram baixos e, portanto, o prognóstico para cães e gatos portadores de
CCEs cutâneos é, de um modo geral, desfavorável.

