Estudo soroepidemiológico da infecção pelo Paracoccidioides brasiliensis em caninos domésticos no sul do Rio Grande do Sul

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Data
2015-04-01Autor
Teles, Alessandra Jacomelli
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O fungo termodimórfico Paracoccidioides brasiliensis é o principal causador da paracoccidioidomicose, micose sistêmica restrita à América Latina e endêmica no Brasil. No extremo sul do país a enfermidade é diagnosticada em humanos desde a década de 60 com crescimento do número de casos a partir dos anos 90. Com o propósito de detectar a presença do agente em áreas urbanas, alertando para a
possibilidade da exposição de indivíduos suscetíveis à doença, este estudo teve como objetivo investigar a infecção por P. brasiliensis em cães no sul do Rio Grande do Sul, Brasil. Foram avaliados 196 caninos, errantes e semidomiciliados, participantes de um programa de controle populacional dos municípios de Pelotas e Capão do Leão localizados na zona sul do Rio Grande do Sul. Utilizou-se a técnica de ELISA indireto para detecção de anticorpos anti-gp43 de P. brasiliensis no soro dos animais. Na técnica sorológica foram testados e comparados dois conjugados diferentes, anti-IgG canina-peroxidase e proteína G-peroxidase, estes foram avaliados quanto à concordância dos resultados nos testes (índice Kappa) e a sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e negativo do conjugado porteína G-peroxidase foram calculados considerando o conjugado específico para cães como padrão ouro. A infecção fúngica foi constatada em 58 animais (29,6%), sem diferença significativa quanto ao sexo, idade e raça dos cães (P>0,05). Foram detectados animais soropositivos procedentes de todos os bairros do Distrito Sede de Pelotas, bem como do município vizinho Capão do Leão. Os resultados dos
testes com os dois conjugados diferentes resultaram em fraca concordância (Kappa=0,140; P< 0,001). A proteína G-peroxidase apresentou baixa sensibilidade e ocorrência de falsos negativos em relação ao conjugado específico, demonstrando não ser uma alternativa viável para realização do imunoensaio na espécie canina. A detecção de anticorpos específicos nos cães do presente estudo comprova a
presença e ampla distribuição de P. brasiliensis na área urbana da cidade de Pelotas e no município Capão do Leão, e alerta para ocorrência da PCM em indivíduos suscetíveis, bem como a possibilidade da doença em pequenos animais nesta região.
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