Prevalência de problemas oclusais e fatores associados em crianças de 2 a 3 anos de idade: um estudo numa coorte de mães adolescentes
Resumo
Devido a alta prevalência de maloclusões na população a Organização Mundial de Saúde (OMS) a considera como um dos principais problemas de saúde bucal em todo
o mundo. Os fatores associados a ocorrência das maloclusões podem ser agrupados em primários e secundários: dentre os primários, destacam-se a hereditariedade e as alterações congênitas, ao passo que os secundários são constituídos pelos hábitos bucais deletérios, alteração no padrão alimentar e fatores nutricionais. Hábitos de
sucção não nutritivos, como sucção digital, uso de chupeta, mamadeiras e desmame precoce são fatores associados com o desenvolvimento de alterações no equilíbrio
esquelético e muscular. Assim, características biológicas e comportamentais podem representar fatores de risco ao desenvolvimento de problemas oclusais. O objetivo deste estudo transversal, aninhado em uma coorte de mães adolescentes da cidade de Pelotas – RS, foi avaliar a influência das características de mães adolescentes na
oclusão de crianças de 2 a 3 anos. A coleta de dados foi realizada de julho de 2012 a março de 2014. Foi realizada entrevista com as mães e exame clínico de saúde bucal da criança. Na entrevista foram coletadas as variáveis independentes (condição socioeconômica, índice de Apgar, circunferência da cabeça, peso ao nascer, necessidade de UTI, o principal cuidador da criança, uso de chupeta e aleitamento materno). O exame de saúde bucal foi realizado por dentistas previamente treinados
e calibrados. A avaliação da condição oclusal foi avaliada de acordo com o índice de Foster; Hamilton, 1969, incluindo mordida aberta, sobressaliência aumentada, relação de caninos e mordida cruzada. Para avaliar a associação entre as características oclusais e as variáveis independentes foi feita a análise bivariada, utilizando os testes Qui-quadrado, Exato de Fisher e Qui-quadrado de tendência linear. A análise multivariada foi realizada usando como desfecho a presença de alguma maloclusão,
através de Regressão de Poisson com variância robusta, estimando-se as razões de prevalência e seus respectivos intervalos de confiança de 95%. A prevalência de
maloclusão nesta população foi de 62,33%, e a desordem mais comum encontrada, foi mordida aberta anterior afetando 47,45% das crianças. O uso de chupeta, a falta
de amamentação prolongada, Apgar abaixo de 7 e necessidade de UTI, tiveram associação com a maloclusão. A análise multivariada mostrou que as características
perinatais podem representar fatores de risco para o desenvolvimento oclusal. As crianças que não necessitaram de UTI [Razão de Prevalência (RP) 0.75; Intervalo de
Confiança (IC) 95% 0.56-0.99] tiveram menor risco de desenvolver a maloclusão enquanto que os que tiveram escores de Apgar abaixo de 7 tinham um risco maior
[RP 1.32; IC 95% 1.06-1.64]. As crianças que ainda usam chupeta [RP 3.88(IC 95% 2.65-5.68)] ou que já pararam o uso (RP 1.82; IC 95% 1.02-3.24) tem mais chance
de maloclusão comparadas as que nunca usaram o bico. As crianças que ainda mamam, tiveram menor ocorrência das desordens oclusais (RP 0.59; IC 95% 0.42-
0.84). A prevalência de maloclusão foi alta nesta população, sugerindo que mães adolescentes podem ter atitudes que contribuam para o desenvolvimento da
maloclusão, como o uso de chupeta e o menor tempo de amamentação.
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