Mapeamento da osseointegração a partir de respostas biológicas imuno-dirigidas : evidências a partir de uma revisão sistemática e um estudo clínico randomizado com foco no carregamento oclusal de pacientes usuários de overdentures mandibulares implanto-retidas
Resumo
A osseointegração de implantes dentários ocorre devido ao processo desencadeado pela resposta imune do hospedeiro, entretanto os biomarcadores que modulam esse processo ainda não foram determinados. Com o intuito de investigar e compreender a ossointegração por meio dos biomarcadores foram delineados dois estudos: I) Revisão sistemática (RS) com foco na avaliação de coleta de fluido crevicular peri-implantar (FCPI) durante a cicatrização de óssea após a inserção de implantes dentários; II) Estudo clínico longitudinal randomizado de acordo com o carregamento oclusal, carga imediata (CI) ou convencional (CC), de overdentures mandibulares. O estudo II avaliou o comportamento clínico e biológico da osseointegração de implantes de diâmetro reduzido (IDR) submetidos a CI ou CC, inseridos em 20 pacientes desdentados totais, com elevado tempo de edentulismo e limitada disponibilidade óssea mandibular. Na RS foram selecionados 30 estudos clínicos e identificados 52 biomarcadores durante o período de osseointegração. Os biomarcadores mais estudados foram interleucina (IL) -1β, fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e óxido nítrico (NO). As coletas de FCPI foram realizadas imediatamente após inserção do implante até 16 semanas antes do carregamento oclusal. Através dos dados coletados nesta RS, não foi possível identificar qual o mecanismo pelos quais os biomarcadores inflamatórios e ósseos são liberados durante a osseointegração. No entanto, eventos já conhecidos da osseointegração foram associados com os resultados dos estudos clínicos disponíveis, sendo este, um guia aos futuros pesquisadores, devido o mapeamento de todos os biomarcadores já avaliados durante esse processo. No estudo “II”, o grupo CI apresentou estabilidade 8,95% menor que o CC, até a semana 12 (p<0,05). O cálculo no CI foi 50% maior que no CC na semana 1 (p=0.006), e 30% menor na semana 8 (p=0.017). A profundidade a sondagem do CI foi em média 21,49% inferior ao grupo CC em todos os períodos avaliados (p=0.05). O sangramento a sondagem foi 28,9% maior para o CI na semana 12 (p=0,044). Implantes que receberam CI apresentaram a concentração de TNF-α 40,75% maior até a semana 4 (p<0.05) e 57,78% mais IL-1β, após a semana 4 até a 12 que o grupo CC. A concentração de IL-6 foi 53,94% menor para o CI, até a semana 8. A concentração de IL-10 teve aumento progressivo significativo e similar para ambos os grupos até a semana 8, na semana 12 o grupo CI teve 45,74% maior concentração do que o grupo CC (p=0.003). A taxa de sobrevivência foi de 90% para ambos os grupos. Os implantes que receberam CI apresentaram resultados clínicos mais estáveis, mas resultados biológicos mais instáveis durante a cicatrização óssea. Diante disso, a reabilitação da população com baixa disponibilidade óssea em região anterior de mandíbula com overdentures mandibulares é mais segura quando feita com CC, pois a resposta inflamatória foi mais controlada neste grupo.
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