Vitrificação de oócitos imaturos de eqüinos : características morfológicas ultra-estruturais e maturação nuclear in vitro
Resumo
Os objetivos do presente estudo foram: 1) analisar características morfológicas
ultra-estruturais em oócitos eqüinos submetidos à vitrificação; 2) avaliar a
maturação nuclear in vitro (MIV) de oócitos eqüinos vitrificados em soluções
contendo bloqueadores sintéticos da formação de gelo (SIB); 3) considerar a
influência das características das células do cumulus-oophorus no momento da
coleta sobre a maturação nuclear in vitro. Foram utilizados complexos cumulusoócito
obtidos de ovários provenientes de éguas de abatedouro. No primeiro
experimento 30 oócitos foram divididos em 3 grupos: Grupo controle (G1,
n=10); Grupo 2 (G2, n=10), vitrificados após exposição de 3min em VS-1 e
1min em VS-2; Grupo 3 (G3, n=10), exposição por 1,5min à VS-1 e 30s à VS-2.
A vitrificação foi realizada em palhetas abertas estiradas (OPS). As
características ultra-estruturais foram observadas em microscópio eletrônico de
transmissão, sendo os oócitos classificados em três categorias: I) Oócitos sem
alterações; II) oócitos com alterações intermediárias e III) oócitos com
alterações severas. No segundo experimento, oócitos cumulus compacto (Ccp;
n=248) e cumulus expandido (Cex; n=264) foram divididos em três grupos:
Controle, Tratamento-1 (T1 - Etilenoglicol-EG + Dimetilsulfóxido-DMSO + SIB)
e Tratamento-2 (T2 - formamida + EG + DMSO + Polivinilpirrolidona + SIB). O
grupo controle foi MIV imediatamente após a coleta, o restante foi vitrificado
imaturo em OPS e submetido a MIV após o reaquecimento. O estágio de
maturação após incubação foi avaliado em microscópio de fluorescência
(Hoechst 33342). Na avaliação de ultra-estrutura foram classificados no escore
I 80% oócitos G1, 30% do G2 e 60% do G3; Classificação II: 0% dos oócitos
G1, 20% do G2 e 30% do G3; e Classificação III: 20% dos G1; 50% do G2 e
10% do G3. Na avaliação da maturação, o índice de oócitos que atingiram MII
foi 41% Controle, 38,3% T1 e 33,3% T2 (P>0,05). Nos oócitos do grupo
controle, o índice de MII foi superior em oócitos Cex (53,2%) do que oócitos
Ccp (29,3%; P<0,05). A avaliação da influência das características das células
do cumulus na vitrificação não detectou diferença (P>0,05). Contudo oócitos Cex obtiveram maiores índices de MII do que oócitos Ccp em T1 (50% vs
27,3%) e T2 (45,7% vs 21,6%). Pode-se concluir que a diminuição do período
de exposição às soluções de vitrificação resultou em melhor preservação das
características ultra-estruturais de oócitos eqüinos submetidos à vitrificação.
Oócitos eqüinos imaturos podem ser MIV após vitrificação/reaquecimento,
obtendo índices satisfatórios de MII. As características das células do cumulus,
no momento da coleta, não interferem no índice de maturação nuclear in vitro
de oócitos eqüinos após vitrificação.