Eficiência reprodutiva com inseminação artificial intra-cervical e pós-cervical, em fêmeas suínas, associada à concentração espermática e perfil estral
Resumo
A inseminação artificial (IA) é uma biotécnica reprodutiva que vem sendo
intensamente utilizada na suinocultura, em função dos benefícios genéticos e
sanitários, permitindo que as agroindústrias coloquem no mercado produtos
saudáveis e de qualidade. A técnica de IA pós-cervical (IAPC) possibilita a
deposição do sêmen no corpo do útero, utilizando doses inseminantes com de 1 x
10 9 espermatozóides/dose. Portanto, com a IAPC, a fertilidade do reprodutor
utilizado como doador de sêmen, passa a influenciar o desempenho reprodutivo
de um número três vezes maior de fêmeas, quando comparado a IA convencional.
Este estudo teve como objetivo comparar o desempenho reprodutivo de fêmeas
suínas submetidas a IAIC, com dose inseminante convencional com a IAPC com 3
diferentes concentrações (2; 1; e 0,5 x 10 9 espermatozóides/ dose). O estudo
incluiu 338 fêmeas F1, sendo que, 232 fêmeas receberam a primeira dose
inseminante 12 h após a detecção de cio e as doses subseqüentes em intervalos
de 12 h, enquanto 106 fêmeas foram inseminadas imediatamente após a
ovulação, confirmada por ultra-sonografia em tempo real. Taxas de concepção e
parição (TPAR) para a IAIC (98,9% e 97,9%, respectivamente), foram maiores
(P < 0,001) às observadas para a IAPC (87,1% e 84,3%, respectivamente). Tanto
para taxa de concepção como TPAR, os índices observados para o T8 foram numericamente inferiores aos demais tratamentos, porém sem diferença
significativa ( P > 0,05). O total de leitões nascidos por parto não diferiu entre os
tratamentos (P = 0,09). Para as fêmeas com 1, 2 , 3 ou mais partos, a TPAR foi
igual a 90,2%, 82,7% e 88,9% (P = 0,40). No entanto, o total de leitões nascidos
foi influenciado pela ordem de parto (OP) das matrizes, sendo inferior (P = 0,0004)
para fêmeas primíparas (9,1 ± 0,4) do que para fêmeas com 2 e 3 ou mais partos
(11,5 ± 0,5 e 11,5 ± 0,2, respectivamente). Também houve interação entre o efeito
dos tratamentos e a OP com relação ao tamanho de leitegada, pois a resposta foi
inferior (P < 0,05) em fêmeas primíparas em alguns dos tratamentos com IAPC.
Com isso, podemos concluir que o método de IAPC, em condições de rotina em
uma granja comercial, atingiu índices de desempenho reprodutivo semelhantes
quando comparado com o IAIC, com doses de até 1 x 10 9 espermatozóides.