Caracterização de Leptospira spp. quanto à presença e conservação dos genes da família lig: importantes alvos para utilização em vacina e testes de diagnóstico
Resumo
Leptospiras patogênicas carregam um ou mais genes lig, os quais codificam para
proteínas da família Lig. As proteínas Lig ( Leptospiral immunoglobulin-like ) são
importantes fatores de virulência, e acredita-se que estejam envolvidos na
penetração do tecido e na adesão da Leptospira às células do tecido hospedeiro. Até
o presente momento, as proteínas Lig são apontadas como um dos principais fatores
envolvidos na patogênese de Leptospira spp. Três genes, ligA, ligB e ligC são
conhecidos, os quais codificam para proteínas com o mesmo nome. O interesse pela
caracterização dos genes que codificam para as proteínas Lig surgiu pelo fato
destas apresentarem potencial imunoprotetor e como antígenos para testes de
diagnóstico. Frente a esta constatação, fez-se necessário conhecer o grau de
conservação destes genes para inferir se a utilização de uma destas proteínas como
antígeno vacinal seria capaz de induzir uma imunidade de amplo espectro. Dentre as
espécies patogênicas de Leptospira, 4 tiveram seus genes lig seqüenciados neste
estudo, as quais compreendem L. interrogans, L. noguchii, L. weilli e L. borgpetersenii. Entre
as proteínas Lig seqüenciadas até o momento, LigB oriunda de L. interrogans
Copenhageni FIOCRUZ L1-130 aparece como a mais conservada quando
comparada com LigB de outras espécies. Com o alinhamento da seqüência dos
genes lig das diversas espécies, foi possível desenhar primers capazes de amplificar
por PCR um fragmento interno de cada um dos três genes. Esta abordagem permitiu
comprovar a presença do gene ligB em todas as espécies patogênicas, enquanto
ligA aparece apenas em L. interrogans e L. kirschneri, e ligC é encontrado nas espécies
L. interrogans, L. kirschneri, L. weilli e alguns sorovares de L. noguchii. O seqüenciamento
do fragmento de ligB amplificado por PCR a partir do DNA de 33 sorovares de 6
espécies, e sua análise comparativa juntamente com o fragmento correspondente
pertencente aos genes ligB depositados no GenBank, possibilitou uma análise
filogenética onde verificou-se que é possível diferenciar as espécies pela seqüência
deste fragmento.