| dc.description.abstract | Contemporaneamente, as discussões em torno do antiespecismo se desenvolveram fortemente a partir da luta em defesa dos animais iniciada nos movimentos filosóficos do meio acadêmico das décadas de 1960 e 1970 – especialmente em Richard Ryder, Peter Singer e Tom Regan – e que inspiraram (e inspiram) diversos sujeitos e grupos a se mobilizarem. Inicialmente, portanto, o termo especismo foi cunhado academicamente como uma forma de, a exemplo do racismo e do sexismo, apontar para a opressão sofrida pelos animais não-humanos pelos humanos; ou melhor, para descrever uma discriminação moral
sofrida pelos animais não-humanos por serem de espécies diferentes da humana. Com o passar do tempo, em contexto de desenvolvimento do capitalismo e da racionalidade neoliberal, os usos do especismo ganharam novos contornos, tanto teóricos como na prática ativista, porém sempre relacionados, de alguma forma, à defesa dos animais não-humanos. Neste sentido, durante as décadas seguintes do século XX e as do início do século XXI, tanto estudos quanto mobilizações se intensificaram, dando origem a um campo interdisciplinar dedicado ao tema – denominado estudos animais (WEIL, 2012) – e a uma discussão sobre uma suposta “virada política” da questão animal (COCHRANE; GARNER; O’SULLIVAN, 2018). No Brasil, embora algumas ações políticas datem dos anos de 1990, é a partir do século XXI que elas cresceram. Uma das mobilizações constituídas nesse contexto foi o ANTAR – Poder Popular Antiespecista, cuja organização, enquanto coletivo, se deu no ano de 2019, com o
objetivo de construir um debate antiespecista na sociedade. Diante disso, a proposta deste estudo é analisar o discurso político do ANTAR. Para isso, é importante, antes de tudo, estabelecer algumas noções teóricas mobilizadas, em especial ao que se refere a discurso, antagonismo e política. | pt_BR |