Barreiras e facilitadores para à prática de atividades físicas e esportivas de escolares com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista de um município do Sul do Brasil

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Data
2023-12-14Autor
Silveira, Naiélen Rodrigues
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O objetivo do estudo foi descrever a frequência de escolares com Deficiência
Intelectual (DI) e Transtorno do Espectro Autista (TEA) matriculados nas escolas
regulares e especiais de um município do Sul do Brasil, bem como, avaliar a
percepção de seus responsáveis sobre o envolvimento desses escolares em práticas
de Atividades Físicas e Esportivas (AFEs), identificando as barreiras e facilitadores
que influenciam sua participação. Trata-se de um estudo transversal descritivo. Para
estimar a população do estudo foi realizado um levantamento em todas as instituições
de ensino (escolas municipais e estaduais) do município de Encruzilhada do Sul – RS,
sendo posteriormente identificas 133 escolares com DI e/ou TEA com idades entre 4
a 18 anos. Para a coleta de dados, foram estabelecidos como critérios de inclusão, os
escolares com idades entre 7 a 18 anos com DI e/ou TEA, ficando elegíveis a
participar do estudo 100 escolares. A coleta de dados ocorreu através da aplicação
de um questionário presencialmente na escola e/ou por ligação telefônica. Para
análise dos dados foram utilizados os recursos da estatística descritiva do pacote
estatístico IBM Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) Base 22.0. Foram
entrevistados ao todo 53 responsáveis de escolares com DI e/ou TEA (53% de taxa
de resposta). Os resultados do estudo apontam que os escolares possuem baixos
níveis de AFEs (86,7% inativos), e baixo engajamento em programas de AFEs no
lazer (gratuitos 11,3%; pagos 7,55%). Com relação às aulas de Educação Física, a
frequência de participação foi de 87,7%. As barreiras ambientais para prática de AFEs
foram majoritariamente destacadas pelos responsáveis, entre elas, clima da região,
locais de prática de AFEs, falta de oportunidade e orientação profissional, segurança,
transporte e deslocamento. Na barreira social, destaca-se a dificuldade financeira e a
falta de companhia de familiares e amigos. Nas barreiras pessoais, destaca-se o
comportamento sedentário dos escolares, dificuldade de habilidades sociais, medo de
se machucar e experiências negativas anteriores com AFEs. Os facilitadores foram
consistentemente em termos de direção e muito similares em termos de magnitude
em comparação aos aspectos investigados como barreiras, exceto para a existência
de tempo livre e boa interação com os amigos e profissional/professor de Educação
Física. Conclui-se que os níveis de prática e envolvimento com as AFEs nesse grupo
populacional são baixos fora do ambiente escolar e que os desafios enfrentados por
esse grupo de escolares vão além de uma escolha individual, envolvendo uma série
de fatores que influenciam nesse engajamento. Sugere-se a urgente necessidade de
apoio e estímulo por parte da gestão pública para a implementação de projetos e
programas que tornem as AFEs mais acessíveis para as pessoas com DI e TEA.