Fauna parasitária de animais silvestres no Sul do Brasil: epidemiologia e identificação molecular
Resumen
Os animais silvestres podem ser hospedeiros e/ou reservatórios de diversas doenças parasitárias, incluindo as zoonóticas, com potencial impacto significativo na saúde
pública e na conservação das espécies. Nesse sentido, objetivou-se pesquisar e identificar a fauna parasitária de animais silvestres na microrregião de Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul, Brasil. Para tanto, carcaças de animais silvestres atropelados foram coletadas em rodovias da região e submetidas a necropsias. Fragmentos de tecidos foram amostrados e seu DNA foi extraído. Endo e ectoparasitos foram coletados e identificados morfologicamente e molecularmente. Amostras de fezes também foram analisadas através das técnicas de Centrífugo Flutuação com Sulfato de Zinco, Sedimentação Espontânea e Esporulação de Oocistos. Percebeu-se que 87,80% dos animais coletados estavam infectados por helmintos, 51,21% infestados por ectoparasitos e 48,78% foram afetados por ambos os tipos de parasitos. Ainda, em 69,5% das amostras de fezes, encontramos ovos de helmintos e/ou cistos/oocistos de protozoários e 64,9% das amostras positivas estavam parasitadas por pelo menos um morfogrupo com agentes zoonótico. Também não foram detectadas evidências da presença do DNA de Leishmania spp. nos animais alvo na região estudada. Em contrapartida, novos registros da fauna parasitária foram identificados como os primeiros registros de Hydatigera taeniaeformis e Ancylostoma caninum infectando Leopardus geoffroyi em todo o mundo; E primeiros registros da ocorrência de Contracaecum australe infectando Phalacrocorax brasilianus e Rhipicephalus microplus infestando Ozotoceros bezoarticus, ambos no sul do Brasil. As novas informações contribuem para o conhecimento sobre a fauna parasitária de animais silvestres no Sul do Brasil e ao redor do mundo, e indicam a necessidade de estudos epidemiológicos contínuos acerca do tema nesse grupo de hospedeiros. Essa investigação é crucial para o bem-estar e conservação de animais selvagens, populações domésticas e humanos.