Desenvolvimento de ELISA indireto e teste imunocromatográfico com antígenos recombinantes TES30 e TES120 para o diagnóstico da toxocaríase
Resumo
A toxocaríase é uma doença negligenciada cosmopolita capaz de acometer inúmeros animais. Em humanos, a larva pode causar danos durante meses ou até anos, e dependendo da localização, esses danos podem ser irreversíveis. Seu difícil diagnóstico é um dos principais pontos de contribuição para seu carácter de doença negligenciada. Com uma ampla gama de sinais e sintomas não específicos, o diagnóstico é baseado em sinais clínicos, histórico do paciente, eosinofilia e pesquisa de anticorpos contra IgE total e anticorpos específicos. A pesquisa de anticorpos específicos baseia-se na produção nativa de antígenos de excreção e secreção do Toxocara canis (TES), de forma laboriosa, especializada, com amplo uso de insumos e tempo. Como alternativa, estudos têm avaliado se proteínas recombinantes teriam a capacidade de melhorar o atual panorama de diagnóstico da doença. Dessa forma, esta tese objetivou desenvolver e avaliar um teste imunoenzimático e imunocromatográfico com proteínas recombinantes de antígenos de excreção e secreção de T. canis (rTES-30 e rTES-120) para diagnóstico e estudos epidemiológicos da infecção por T. canis. As proteínas recombinantes expressas em Escherichia coli apresentaram, em testes imunoenzimáticos (ELISA), sensibilidades e especificidades (acima de 81%) em modelo experimental (camundongo), humanos, bovinos, ovinos e equinos. A sensibilidade, entre 56 a 69%, das proteínas expressas em Pichia pastoris não favorece seu uso no imunodiagnóstico da toxocaríase. Ademais, o protótipo de teste imunocromatográfico apresentou capacidade de diagnóstico em humanos com sensibilidade e especificidade, de 74 e 73%, respectivamente. Concluindo, o presente trabalho demonstrou avanço no diagnóstico de toxocaríase, apresentando um modelo funcional para diagnóstico imunoenzimático e imunocromatográfico.

