Potencial Antioxidante e Anti-inflamatório do Extrato Nanoencapsulado de Araçá Vermelho (Psidium cattleianum) em Tecido Cerebral e Cultura Primária de Astrócitos
Resumen
O araçá vermelho (Psidium cattleianum) destaca-se pelo seu elevado teor de
compostos fenólicos, reconhecidos por suas propriedades antioxidantes e anti
inflamatórias. Entretanto, a baixa biodisponibilidade e estabilidade desses
compostos podem limitar sua eficácia biológica. A nanotecnologia surge como
uma estratégia promissora para potencializar sua eficácia e aplicabilidade
terapêutica. Este estudo investigou os efeitos do extrato livre e nanoencapsulado
de araçá-vermelho sobre parâmetros oxidativos e inflamatórios em tecido
cerebral de ratos e em cultura primária de astrócitos expostos ao
lipopolissacarídeo (LPS). As nanocápsulas revestidas com zeína contendo 0%,
30% (100 e 200 µg/mL) e 50% (v/v) (100 e 200 µg/mL) de extrato de P.
cattleianum, assim como o extrato livre (100 e 200 µg/mL), foram avaliadas em
um protocolo de estresse oxidativo in vitro, induzido por peróxido de hidrogênio
e sulfato ferroso, em tecido cerebral de ratos. No protocolo de cultivo celular, os
astrócitos foram tratados com o extrato livre (100 µg/mL) ou nanoencapsulado
de 50% (100 µg/mL) por 72 horas e expostos ao LPS por 3 horas. Nestas células,
foram
avaliados
parâmetros de estresse oxidativo, atividade da
acetilcolinesterase (AChE) e níveis de interleucina-10 (IL-10). No modelo in vitro
de estresse oxidativo, após uma hora de incubação, tanto o extrato livre quanto
o nanoencapsulado reduziram os níveis de substâncias reativas ao ácido
tiobartitúrico (TBARS) de forma semelhante. Em relação aos níveis de nitrito, o
extrato nanoencapsulado mostrou-se mais eficaz que o extrato livre. Após três
horas de incubação, o extrato nanoencapsulado apresentou maior efetividade na
redução dos níveis de TBARS em comparação ao extrato livre. Em astrócitos, o
LPS reduziu a viabilidade celular e os níveis de IL-10, promoveu dano oxidativo
e aumentou a atividade da AChE. Ambos os tratamentos (extrato livre e
nanoencapsulado) preveniram essas alterações, sendo que o extrato
nanoencapsulado demonstrou maior eficácia na prevenção das alterações da
atividade da catalase (CAT), superóxido dismutase (SOD), AChE e dos níveis de
IL-10. Esses achados evidenciam o potencial antioxidante, anti-inflamatório e
glioprotetor do extrato de araçá vermelho, reforçando a nanotecnologia como
estratégia promissora para potencializar as atividades biológicas de compostos
bioativos no contexto da neuroinflamação.

