Nefrotomia na Dioctofimatose em cães: Aspectos clínicos, diagnósticos, cirúrgicos e anatomopatológicos
Resumo
A dioctofimatose é uma zoonose parasitária causada pelo nematoide
Dioctophyme renale , que afeta principalmente cães, especialmente aqueles em
situação de vulnerabilidade e com hábitos alimentares e hídricos pouco seletivos.
O parasito migra preferencialmente para o rim direito, causando destruição
progressiva do parênquima renal, mas também pode acometer outros órgãos. Os
sinais clínicos são frequentemente inespecíficos ou ausentes, dificultando o
diagnóstico, que é realizado principalmente por ultrassonografia, permitindo a
visualização de estruturas compatíveis com o parasitismo no interior do rim, ou
em regiões ectópicas. O tratamento é exclusivamente cirúrgico, sendo a
nefrectomia a abordagem mais comum em casos de destruição renal completa.
No entanto, a nefrotomia surge como uma alternativa viável em diagnósticos
precoces, permitindo a remoção do parasito e a preservação parcial do tecido
renal. Assim, o objetivo deste trabalho foi relatar, por meio de um estudo
retrospectivo, os procedimentos de nefrotomia realizados para tratamento de
dioctofimatose no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal de
Pelotas (HCV-UFPel) entre 2017 e 2024. Além disso, foi conduzido um estudo
para avaliar a eficácia da nefrotomia por meio de análises anatomopatológicas do
rim mantido, realizadas durante o procedimento e 17 meses após o tratamento
cirúrgico. O Artigo 1 descreve a análise retrospectiva de 18 cães infectados por
Dioctophyme renale no rim direito, submetidos à nefrotomia. O Artigo 2 analisou
sete biópsias coletadas durante a nefrotomia, correlacionando os achados
histopatológicos com os dados clínicos dos cães. O Artigo 3 apresenta o relato de
caso de um cão tratado para dioctofimatose, comparando a biópsia coletada
durante a nefrotomia com uma nova biópsia realizada 17 meses após o
tratamento, com o objetivo de avaliar a evolução do tecido renal após longo
período de recuperação. No período analisado, foram realizadas 18 nefrotomias,
o maior número de casos relatados até o momento. Nas análises histopatológicas
das biópsias coletadas durante a nefrotomia, foram identificadas lesões como
fibrose, necrose tubular, focos hemorrágicos, infiltrado inflamatório, hipertrofia
vascular e fibroplasia. Apesar dessas alterações, todas as amostras
apresentaram algum nível de preservação do parênquima, com néfrons viáveis.
Além disso, a biópsia analisada após 17 meses mostrou uma melhora significativa
nos processos inflamatórios e hemorrágicos observados na biópsia anterior, com
glomérulos e túbulos contorcidos viáveis. Esses achados indicam que a
nefrotomia é uma opção terapêutica eficaz para preservar a função renal em
casos selecionados.
