Gonadotrofina coriônica equina recombinante para indução de estro e ovulação em ovelhas lanadas
Resumen
A sazonalidade impacta negativamente na intensificação da produção em rebanhos
ovinos. Alternativas ao uso de gonadotrofina coriônica equina purificada (eCG) para
induzir o crescimento folicular e ovulação em ovelhas em anestro têm sido exploradas,
mas ainda não há tratamento tão eficiente quanto a eCG purificada. Neste estudo,
objetivamos comparar os efeitos do uso da eCG purificada e da eCG recombinante
(reCG) sobre diâmetro folicular, manifestação do estro, ovulação, função lútea e
prenhez em ovelhas lanadas durante o anestro até o período de transição. No
experimento 1, foram utilizadas 27 ovelhas adultas. No D0, os animais receberam um
dispositivo intravaginal (DIV) contendo 0,36g de progesterona, mantido por 7 dias. No
D7, todas as ovelhas receberam 250 µg de cloprostenol sódico IM e foram
aleatoriamente alocadas em um dos três grupos: controle (n=9), eCG (n=9) e reCG
(n=9). As ovelhas não receberam nenhum tratamento adicional, 400 UI de eCG ou
105 UI de reCG nos grupos controle, eCG e reCG, respectivamente. As avaliações de
diâmetro folicular foram realizadas por ultrassonografia transretal 24, 36 e 48 horas
após a remoção do DIV. A ovulação foi verificada no D14 pela presença, área e
perfusão do corpo lúteo (CL). Função lútea foi avaliado pela perfusão sanguínea do
CL foi avaliada por Doppler colorido e mensurada no ImageJ. A função lútea foi
avaliada 7 e 12 dias após a remoção do DIV pela concentração sérica de P4. No
experimento 2, 441 ovelhas (controle = 117; eCG = 170; reCG = 154) foram tratadas
com protocolo similar ao experimento 1, de início de dezembro até janeiro, para avaliar
o comportamento estral e avaliação das taxas de prenhez e de concepção por monta
natural. O diagnóstico de prenhez foi realizado de 25 a 30 dias após a remoção dos
carneiros. Os dados do experimento 1 foram analisados por ANOVA e teste de Tukey.
As taxas de ovulação, prenhez e estro foram avaliadas usando regressão logística e
o teste exato de Fisher. No experimento 1, o tamanho folicular pré-ovulatório após 48h
foi maior (P<0,01) no grupo eCG (5,22±0,23) e tendeu a ser maior (P=0,052) no grupo
reCG (4,8±0,23) em comparação ao grupo controle (3,98±0,23). A taxa de
crescimento entre a primeira (24h) e a última (48h) avaliação foi maior no grupo eCG
(1,07±0,27) e reCG (1,05±0,27) comparado ao grupo controle (0,01±0,27) (P<0,05). A
taxa de ovulação foi maior no grupo eCG (100%; 9/9) e reCG (88,9%; 8/9) de que no
grupo controle (0%; 0/0) (P<0,0001). Não houve diferença na área e perfusão do CL
entre os tratamentos, mas as concentrações séricas de P4 foram maiores no grupo
eCG em comparação aos grupos reCG e controle; e mais altas no grupo reCG em
comparação ao controle nos dias 7 e 12. No experimento 2, as ovelhas tratadas com
eCG apresentaram uma taxa de estro maior (93,45%) em comparação ao controle
(76,32%) (P<0,001), enquanto o grupo reCG (87,58%) apresentou resultado
intermediário. O tratamento com eCG ou reCG não afetou as taxas de prenhez
(P=0,73) ou de concepção (P=0,75). Durante a transição para a estação reprodutiva,
ambas reCG e eCG têm impacto limitado nas taxas de prenhez e concepção por
monta natural em comparação ao tratamento com P4+PGF. Contudo, durante período
de anestro, reCG demonstra ser uma alternativa ao eCG purificado para promover o
crescimento folicular e induzir a ovulação.

