Restrição calórica e tratamento com senolíticos em camundongos fêmeas jovens em estropausa induzida
Resumo
A população mundial está envelhecendo e atualmente já se observa um crescimento
importante de pessoas com 60 anos ou mais, sendo esta população majoritariamente
femina. No Brasil, a mudança demográfica e epidemiológica, bem como melhorias do
sistema de saúde nas últimas décadas, resultaram tanto na progressão do número
mulheres idosas, como do tempo que elas vivem em menopausa. A menopausa é
comumente associada a alterações e doenças crônicas que se associam ao
envelhecimento e senescência celular. Com base nisso, nosso objetivo foi avaliar os
efeitos da restrição calórica (RC) e do tratamento com os senolíticos dasatinibe e
quercetina (D+Q) ou fisetina em um modelo de estropausa quimicamente induzida
com diepóxido de 4-vinilciclohexano (VCD) em fêmeas jovens. O intuito deste estudo
é mimetizar os efeitos do envelhecimento associado ao estado de estropausa. Para
isso, aos dois meses de idade as fêmeas foram submetidas a indução química da
estropausa com VCD por 20 dias consecutivos e, após confirmação da estropausa
por citologia vaginal, foram submetidas a protocolos experimentais distintos, com RC
ou tratamento com senolíticos. O protocolo de RC de 30% durou 4 meses e os
tratamentos D+Q e fisetina foram realizados por 6 meses. Nossos achados
demonstraram que a estropausa se associou com uma maior média de peso corporal,
porém não teve efeitos significativos em relação ao acúmulo de gordura em ambos os
experimentos. A RC de 30% foi capaz de reduzir significativamente o peso e
quantidade de gordura corporal, se apresentando bastante intensa nas fêmeas
estropausa submetidas a RC, porém não foram observadas outras influências claras
da estropausa na resposta a RC de 30%. Nas fêmeas tratadas com senolíticos não
foram observados efeitos relevantes relacionadoas a alterações metábolicas entre
fêmeas cíclicas e estropausa. O estresse oxidativo no tecido adiposo e hepático
também foi semelhante entre as fêmeas cíclicas e em estropausa, independente do
tratamento senolítico. Entretanto, a estropausa diminuiu a atividade da catalase (CAT)
no tecido adiposo em todos os grupos. A fisetina reduziu os níveis de ERO no tecido
hepático das fêmeas estropausa em comparação as fêmeas dos grupos placebo
cíclico e estropausa. A estropausa e o tratamento com senolíticos não influenciaram
a atividade da beta-galactosidase associada à senescência nos tecidos adiposo e
hepático. Nos ovários as fêmeas em estropausa apresentaram o maior percentual de
células senescentes comparado as fêmeas cíclicas, reforçando o efeito ovotóxico e
localizado do VCD no ovário. No entanto, o tratamento senolítico não foi capaz de
diminuir a senescência ovariana induzida pela estropausa e não foram observadas
diferenças no percentual de fibrose e macrófagos entre fêmeas estropausa e ciclícas.
No geral, nossos achados sugerem que a estropausa gera poucas alterações
metabólicas em fêmeas jovens e que a RC e o tratamento com senolíticos não tiveram
efeitos protetores em relação ao estresse oxidativo e senescência celular, sugerindo
que essas alterações podem estar mais associadas ao processo natural de
envelhecimento que o estado de estropausa.

