Seleção de genótipos de arroz irrigado responsivos ao aumento da concentração de dióxido de carbono atmosférico e investigação do fenômeno de tolerância
Resumen
As mudanças climáticas causadas pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2) e os estresses abióticos associados a esse efeito (estresse hídrico e por temperaturas extremas) têm desafiado os cientistas a entender melhor esses efeitos sobre as plantas cultivadas para melhor adaptar os sistemas visando uma agricultura resiliente. Neste sentido, os objetivos gerais da tese foram: 1) caracterizar e selecionar genótipos de arroz quanto às respostas ao aumento do CO2 atmosférico; 2) avaliar o efeito priming do déficit hídrico no estádio vegetativo sobre as respostas de plantas de arroz submetidas ao estresse térmico na antese. Para atingir estes objetivos foram realizados dois estudos. Os resultados do primeiro estudo mostraram que genótipos com uma razão positiva para produtividade de grãos entre a relação de cultivo em densidade baixa e normal, também apresentam maior responsividade ao CO2. Os genótipos de arroz apresentam respostas contrastantes frente ao aumento de CO2 atmosférico. Os genótipos Querência e EP106 apresentaram maior responsividade ao elevado CO2 em termos de produtividade de grãos. Os resultados referentes ao segundo estudo indicam que na concentração de 400ppm de CO2 o estresse prévio por déficit hídrico no estádio vegetativo reflete na redução do conteúdo de H2O2 em folhas bandeira quando as plantas são expostas ao estresse térmico severo na antese. Enquanto que em 700ppm de CO2 o sistema antioxidante enzimático apresenta maior atividade sob estresse térmico severo na antese quando as plantas são previamente submetidas ao déficit hídrico no estádio vegetativo. Além disso, o incremento na atividade da superóxido dismutase (SOD) na folha bandeira, a maior expressão de OsHSP70.6 nas espiguetas em 400ppm de CO2 e o incremento da expressão de OsHSP70CP1 nas espiguetas em 700ppm de CO2 atuam favorecendo a tolerância cruzada em nível bioquímico e molecular entre déficit hídrico e estresse térmico moderado. Por fim, o estudo indica que as plantas de arroz previamente expostas ao déficit hídrico apresentam certa capacidade de melhorar as respostas em termos de metabolismo antioxidante e proteínas de choque térmico quando submetidas a alta temperatura.

