Saúde bucal da pessoa idosa no contexto do SUS: da caracterização dos usuários às práticas dos cirurgiões-dentistas.

Visualizar/ Abrir
Data
2025-11-17Autor
Silva, Helena Pereira Rodrigues da
Metadata
Mostrar registro completoResumo
Esta tese investigou o cuidado odontológico à pessoa idosa no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da integração de um estudo quantitativo com idosos e um qualitativo com cirurgiões-dentistas em Pelotas/RS. O referencial teórico combinou a fenomenologia de Merleau-Ponty e o conceito ampliado de acesso, analisando-o como um processo relacional entre sujeitos, instituições e território. O estudo quantitativo, com 152 idosos de uma Unidade Básica de Saúde "Amiga do Idoso", revelou um perfil com forte vínculo com a Estratégia Saúde da Família e indicadores de saúde bucal favoráveis. No entanto, identificou um gradiente de iniquidade: idosos com dependência funcional apresentaram piores condições (menor uso de próteses, maior necessidade de reabilitação) e menor acesso a consultas preventivas, destacando a autonomia como determinante crítico. O
estudo qualitativo, com profissionais, evidenciou que o modelo de acolhimento é insuficiente para garantir equidade. Os idosos mais vulneráveis (acamados, com mobilidade reduzida) são os que menos chegam às unidades. Barreiras como sobrecarga de trabalho, falta de materiais, transporte e protocolos institucionalizados marginalizam o atendimento domiciliar, que depende da
iniciativa individual. Os Agentes Comunitários de Saúde surgiram como atores essenciais para vincular e identificar necessidades no território. A síntese dos achados demonstra que o acesso é limitado por barreiras objetivas (organizacionais e estruturais) e subjetivas (crenças que desvalorizam o cuidado na velhice). Conclui-se que é imperativa a institucionalização da atenção
odontológica domiciliar como política. Isso requer: 1) sua inclusão formal nos protocolos da Linha de Cuidado do Idoso; 2) financiamento específico; 3) educação permanente da equipe; e 4) fortalecimento do papel do ACS. A tese contribui teórica e cientificamente ao articular perspectivas epidemiológicas e fenomenológicas, mostrando que as falhas no acesso são sistêmicas. Garantir o cuidado odontológico equitativo ao idoso é uma questão de justiça social e dignidade, exigindo a construção de práticas territoriais e interdisciplinares centradas na pessoa.
