As necessidades da arquitetura escolar para o século XXI: estudo de caso em escolas tradicional e montessoriana
Resumo
Esta dissertação analisa como a arquitetura escolar pode apoiar práticas pedagógicas e atender às necessidades sociais e emocionais dos usuários, a partir da percepção de alunos, professores e gestores. O estudo buscou compreender de que maneira as características do espaço físico podem atuar como facilitadoras da aprendizagem, do conforto ambiental e do sentimento de pertencimento, propondo recomendações para ambientes mais humanos e inclusivos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, desenvolvida em dois estudos de caso: uma escola Tradicional e uma Montessoriana. Foram utilizados múltiplos instrumentos de coleta de dados — análise Walkthrough, mapeamento de fluxos e atividades, observações, entrevistas, questionários e a dinâmica World Café — permitindo captar tanto aspectos físicos quanto subjetivos do espaço. Os resultados mostram que a qualidade dos ambientes não depende apenas do modelo pedagógico, mas da coerência entre projeto arquitetônico, práticas educativas e apropriação cotidiana. Ambientes flexíveis, com conforto ambiental, integração com a natureza e possibilidades de uso criativo favorecem engajamento, bem-estar e inovação, enquanto salas rígidas, pouco ventiladas ou carentes de identidade limitam a aprendizagem e a socialização. A partir dessas evidências, o trabalho apresenta recomendações organizadas em cinco eixos: Flexibilidade Espacial, com mobiliário modular, ambientes multifuncionais e valorização das zonas de transição; Conforto Ambiental, incluindo conforto térmico, acústico e lumínico, com soluções bioclimáticas; Integração com a Natureza, ampliando o contato visual e físico com áreas verdes; Pertencimento, estimulando expressão e participação da comunidade escolar; e Estrutura Física, garantindo qualidade construtiva, segurança e acessibilidade. Essas recomendações reforçam o papel da arquitetura como elemento ativo na criação de escolas mais acolhedoras, adaptáveis e alinhadas às transformações educacionais do século XXI.

