Atividade anti-Trichomonas vaginalis: efeitos bioquímicos e moleculares de compostos análogos a chalconas
Resumen
O tratamento da tricomoníase é baseado nos fármacos 5'-nitroimidazóis, o qual tem apresentado falhas relacionadas a reações alérgicas, efeitos adversos e o surgimento de isolados resistentes. Não existem medicamentos alternativos aprovados para o tratamento desses casos, sendo necessária a busca por novas moléculas ativas. Nesse cenário, as chalconas têm sido amplamente estudadas por suas promissoras atividades biológicas, tais como: antibacteriana, antifúngica, antiviral, antiparasitária, entre outras. Neste trabalho, é apresentado um manuscrito contendo a síntese de três hidroxichalconas (3a, b e c) e análises da atividade biológica dessas moléculas in vitro e in silico sobre Trichomonas vaginalis. A avaliação biológica in vitro mostrou que a hidroxichalcona 3c apresentou atividade anti-T. vaginalis, com morte completa dos trofozoítos em 12 h de incubação na concentração inibitória mínima (MIC) de 100 μM. 3c mostrou uma citotoxicidade dose-dependente, com concentração citotóxica para 50% das células (CC50) de 118,9 μM em células VERO em 24 h. Já a associação de 12,5 μM de 3c e 40 μM de Metronidazol (MTZ) mostrou 95,31% de atividade contra trofozoítos de T. vaginalis após 24 h de exposição e não afetou o crescimento de células VERO. A avaliação RS (Reactive Species) e TBARS (Thiobarbituric acid reactive substances) mostrou aumento na produção de RS e dano lipídico induzido por 3c de forma isolada e em associação com MTZ. A análise in silico por docking molecular mostrou que 3c pode inibir a atividade das enzimas TvMGL (metionina gama-liase), TvLDH (lactato desidrogenase) e TvPNP (purina nucleosídeo fosforilase), afetando a sobrevivência de T. vaginalis, sugerindo um mecanismo de ação diferente do MTZ. Além disso, em anexo a este documento, está uma patente de invenção, depositada no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual, exemplificando duas classes de chalconas com atividade anti-T. vaginalis, as hidroxichalconas, e chalconas com 2-acetiltiofeno. Portanto, estes resultados sugerem que moléculas análogas a chalconas são promissores agentes anti-T. vaginalis e devem ser consideradas para novas investigações para o tratamento da tricomoníase tanto de forma isolada, quanto em associação com MTZ.

