Esporotricose felina e canina em área endêmica: epidemiologia e tratamento
Resumo
A esporotricose é uma micose de implantação ou inoculaçãocausada por espécies
do Complexo Sporothrix schenckii, um fungo dimórfico que habita principalmente
plantas e vegetais em decomposição. Áreas endêmicas no Brasil têm sido
frequentemente descritas, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de
Janeiro e São Paulo caracterizandoesta enfermidadecomo uma micoseemergente e
de importância para a saúde pública, devido ao seu caráter zoonótico. Este trabalho
é um estudo retrospectivo cujo objetivo foi analisar os laudos com crescimento de
Sporothrix spp. encontrados nas fichas arquivadas do Centro de Diagnóstico e
Pesquisa em Micologia Veterinária MICVET (UFPel), local de referência para o
diagnóstico de micoses nos animais domésticos no sul do rio grande do sul,região
endêmica para a enfermidade.O estudo analisou osregistrosdo período entre 2005 e
2016, e obteve 284diagnósticos estabelecidos de esporotricoseem animais, sendo
55 em cães (19,37%) e 229 emgatos (80,63%). Foi possível observar que 58,87%
(n=166) do total de diagnósticoneste período, ocorreu nos últimos quatro anos do
estudo. A avaliação desses dados revelou serem os felinos machos o grupo com
maior casuística da doença (n=175/284), representando 61,62% do total. Quanto à
manifestação da doença, também foram os gatos machos que apresentaram com
maior frequência as lesões na forma cutânea disseminada(56,34%; n=160/284). Do
total das amostras (n=284) com crescimento laboratorial de Sporothrix spp., 233
(82,04%) foram encaminhados com suspeita clinica de esporotricose. Contudo, o
estudoalerta sobre a utilização de medicação prévia ao diagnostico laboratorial, visto
que do total dasamostras, 175 (61,62%) faziam uso de alguma terapia no momento
da coleta do material, ressaltando ser o itraconazol o antifúngico de eleição, mesmo
com crescentes casos de falhas terapêuticas.Entretanto, 51,43% (n=90/175)
utilizava exclusivamente antibiótico prévio ao diagnostico de esporotricose. Pode-se
concluir que a região sul do Rio Grande do Sul se confirma como zona endêmica
para esporotricose, com crescente aumento especialmente nos últimos quatro anos
do estudo. Os gatos machos continuam como o grupo de maior frequência
diagnóstica, e com a apresentação de lesões mais graves. Ainda que o clínico
suspeite de esporotricose, as terapias pré e pós-confirmação do diagnósticodevem
ser mais discutidas e reavaliadas.
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