Cartografia urbana na linha de fronteira : travessias nas cidades-gêmeas Brasil-Uruguay
Resumo
Fronteira não é linha, nem demarcação meramente espacial ou temporal entre dois
pontos ou territórios. Um lugar ou um território de fronteira é, por excelência, um território de
devir. A necessidade de refletir sobre o conceito de Fronteira Internacional na
contemporaneidade se faz emergente, uma vez que os discursos globalizantes sintetizam a
fronteira como uma linha estática com elevado potencial comercial. Assim, a pesquisa, a partir
da aproximação entre as teorias do urbanismo contemporâneo e da filosofia da diferença, tem
como objetivo geral cartografar as travessias na linha de Fronteira Brasil-Uruguay, definido
pelas cidades-gêmeas, utilizando como metodologia a cartografia urbana sensível; com a
intenção de mapear esses fenômenos urbanos próprios da contemporaneidade e contribuir
não para elaborar planos urbanísticos reguladores, mas sim para mudá-los, questioná-los, a
possibilidade de criação a partir do menor das cidades, abrangendo leituras heterogêneas em
um ato de criação como revolução. As cidades-gêmeas tem suas malhas urbanas contínuas
ou descontínuas na linha de fronteira, apresentando morfologias e usos urbanos que vão de
grandes intensidades a vazios. Lugares de vida em aberto e em fluxos. Questiona-se: como
as estruturas (morfológicas) associadas às vivências (sensíveis) – hostipitaleiras – nas linhas
fronteiriças das cidades-gêmeas Brasil-Uruguay criam possibilidades de dar novos sentidos
aos lugares de interseção, o ponto de con(tato) dessas cidades? O método proposto pensa o
espaço urbano como produtor de subjetividades sempre em processo, utilizando como
procedimentos a experiência da pedagogia da viagem, análises da morfologia urbana, das
formas de acolhimento e da própria cartografia, a sobreposição dos planos intensivos e
extensivos através das collages, além de dar voz ao cidadão fronteiriço através de entrevistas.
A pesquisa contribui para a compreensão dos acontecimentos, do que existe e do que resiste
na linha de fronteira, mas não apenas em uma função recognitiva – conhecer e reconhecer o
mundo e as coisas que o cercam – e sim, aprender com a diferença, tudo aquilo que foge dos
padrões até agora estabelecidos.
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