Povoado em abandono: caminhografia da hospitalidade em Cuñapirú – Corrales no Uruguai.

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Data
2021-07-15Autor
Portela, Laís Dellinghausen
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A região mineira de Cuñapirú — Corrales, localizada no norte do Uruguai, inicialmente rural, encontra seu momento na histórica descoberta do ouro na região em 1820. A partir daí, a localidade passou a receber grandes investimentos de cunho estrangeiro que foram responsáveis pelo forte crescimento da região urbana na localidade. Tais investimentos de origem europeia fundaram o povoado de Minas de Corrales devido à grande quantidade de trabalhadores trazida para o garimpo do ouro. Contudo, após muitos anos, houve um declínio de investimentos na região somados a desastres naturais que acarretaram uma diminuição populacional e de interesse nas atividades mineiras, chegando ao fechamento de várias minas e desativação da Usina Cuñapirú. Nesse sentido, passa-se despercebido e incompreendido os abandonos urbanos em sua totalidade. Por esse motivo, anseia-se, nesta pesquisa, dar foco à localidade de Cuñapirú- Corrales, pertencente ao Departamento de Rivera no Uruguai e compreender o hoje, a fragmentação dos espaços, as relações e percepções dos indivíduos perante o lugar do abandono, compreendendo que este pode ser um território potencial produtor de reações afetivas e de ritornelos. Assim, através da aproximação entre as teorias do urbanismo contemporâneo e da filosofia contemporânea francesa, a pesquisa aborda os temas e diversos sentidos que a palavra abandono pode trazer à tona; como também traz para discussão a hospitalidade e os cuidados de si, explorando que lugares mesmo hostis podem acolher e demonstrar sensação de pertencimento; bem como insere uma relação próxima com a teoria da terceira paisagem. Objetiva-se cartografar os espaços do povoado abandonado, utilizando como método a caminhografia urbana com a finalidade de mapear, analisar, experimentar e corporificar sentidos para pensar o abandono como uma condição polissêmica da paisagem contemporânea. A pesquisa revela, através da criação de mapas e narrativas sensíveis, as potencialidades que podem ser despertas e subvertidas no lugar do abandono, aceitando as coexistências e polissemias.
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