A valoração do assassinato de travestis e transexuais no portal de notícias G1 pelo olhar da Análise Dialógica do Discurso
Resumo
De acordo com a divulgação de dados obtidos por organizações nacionais e
internacionais, o Brasil é o país que mais mata LGBTS (lésbicas, gays, travestis
e transexuais) no mundo. No entanto, a brutalização dos crimes praticados
contra travestis e transexuais vem chamando cada vez mais atenção. Na
ausência de iniciativas governamentais no que se refere ao acompanhamento
desses casos, os veículos midiáticos tornam-se os grandes responsáveis pela
divulgação das mortes. Defendemos a tese de que os portais de notícias podem
estar operando por meio de um processo de silenciamento e naturalização dos
crimes, sem estabelecer um diálogo com o contexto mais amplo de violência ao
qual estão submetidas essas identidades. Considerando isso, neste trabalho,
objetivamos, por meio da realização de uma análise das webnotícias que
apresentam essas mortes, pensar sobre como esses crimes têm sido noticiados
e valorados. Para isso, tivemos como aporte teórico-metodológico, as
contribuições da Análise Dialógica do Discurso (ADD), proveniente do Círculo de
Bakhtin. Para que fosse possível chegarmos aos resultados almejamos,
mobilizamos a concepção dialógica da linguagem e, dentro dela, alguns
conceitos, tais como: palavra, ideologia, valoração, enunciado e gêneros do
discurso. Além disso, buscamos estabelecer um diálogo com diversas áreas do
conhecimento, para que melhor pudéssemos pensar acerca do cenário de
violência e abjeção em que as identidades de gênero dissidentes estão inseridas.
Dentre essas áreas, podemos destacar contribuições da Sociologia, da
Antropologia, da História e da Teoria Quuer, sobretudo as ideias de Judith Butler.
Nosso caminho metodológico, por sua vez, baseou-se em uma contribuição de
Sobral (2009) em diálogo estabelecido com Brait, perpassando as etapas de
descrição, análise e interpretação do objeto de estudo. Destacamos ainda que o
portal de notícias escolhido para realização das análises foi o G1, considerando
a sua relevância no cenário midiático. Dentre os resultados encontrados,
apontamos que, diante das análises realizadas, podemos pensar em um
mecanismo de naturalização e silenciamento da violência praticada contra a vida
de travestis e transexuais.

