Modelo de oficina pedagógica com espécimes peçonhentos conservados para alunos da rede básica de ensino
Resumo
O Brasil, conhecido por sua vasta biodiversidade, abriga uma imensa variedade de
espécies que são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas, incluindo serpentes
e aranhas, animais muitas vezes vistos com receio pela população. A rápida
expansão urbana tem intensificado a disputa por espaço entre seres humanos e
essas espécies, frequentemente resultando em episódios de mortalidade, motivados
pelo medo do potencial venenoso de tais animais ou por crenças populares
enraizadas. O medo, embora seja uma resposta natural de prevenção ao perigo,
também contribui para a perpetuação de mitos e a falta de compreensão acerca da
importância ecológica desses animais. Neste contexto, A presente dissertação teve
como objetivo investigar as percepções de alunos do Ensino Fundamental sobre
animais peçonhentos, especificamente serpentes e aranhas, e avaliar o impacto de
uma oficina pedagógica interativa na desmistificação de preconceitos e no
fortalecimento da consciência ambiental. A pesquisa foi realizada com turmas do 5º
e 9º anos da Escola Municipal Rui Poester Peixoto, localizada na cidade de Rio
Grande, Rio Grande do Sul, Brasil. Dividida em três etapas, a metodologia incluiu a
aplicação de questionários pré-oficina para identificar percepções iniciais, a
realização da oficina pedagógica com exemplares conservados e recursos visuais, e
entrevistas pós-oficina para avaliar mudanças nas percepções e atitudes. Os
resultados evidenciaram que, inicialmente, os alunos possuíam visões marcadas
pelo medo e por mitos populares. Contudo, após a oficina, foi observada uma
significativa redução de preconceitos e um aumento no respeito pelos animais
peçonhentos, com mudanças comportamentais mais expressivas entre os
estudantes do 9º ano. As entrevistas destacaram que a abordagem pedagógica
promoveu reflexões críticas e reforçou a importância ecológica desses animais. As
diferenças entre as turmas indicaram que fatores como maturidade e maior
exposição a conteúdos acadêmicos contribuíram para uma recepção mais profunda
entre os alunos mais velhos. A pesquisa conclui que oficinas pedagógicas
interativas são ferramentas eficazes para transformar percepções equivocadas e
fomentar uma educação ambiental mais consciente.

