Amamentação, uso de chupeta e maloclusão na dentição decídua: estudos na coorte de nascimentos de Pelotas de 2015
Resumo
A presente tese teve como objetivo investigar a associação entre a amamentação e maloclusão, considerando a influência do uso do bico. Para tal, dois artigos foram desenvolvidos, utilizando dados de um estudo de coorte de nascimento de Pelotas 2015 (n=3591). O primeiro artigo, teve como objetivo avaliar se o efeito protetor da amamentação exclusiva na maloclusão na dentição decídua é modificado pela duração e intensidade do uso do bico. A exposição amamentação foi coletada por meio de informações sobre a duração da amamentação durante os acompanhamentos. O desfecho maloclusão foi avaliado utilizando os critérios da Organização Mundial da Saúde. Para avaliar a associação entre amamentação exclusiva e maloclusão, que variam de acordo com a duração e intensidade do uso do bico, foi adotado uma análise de modificação da medida de efeito em que por meio do risco relativo devido à interação (RERI). A amamentação exclusiva apresentou efeito protetor (RP 0,82; IC95%: 0,70-0,96) sobre a ocorrência de maloclusão quando comparado às crianças que nunca receberam amamentação exclusiva. Em relação a duração do uso do bico, crianças que utilizaram o bico em período integral ou parcial nos primeiros 4 anos apresentaram prevalência de maloclusão 8,43 (RP 8,43; IC95% 6,78-10,46) vezes maior quando comparadas às crianças que nunca usaram chupeta, e em relação a intensidade do uso, aquelas que utilizaram em período integral apresentaram maior prevalência de maloclusão (RP 2,80; IC95% 2,52-3,11). Portanto, observou-se que a duração e a intensidade do uso do bico modifcam o efeito protetor da amamentação exclusiva sobre a prevalência de maloclusão. O segundo artigo, teve como objetivo investigar a duração do tempo de amamentação como fator de proteção a ocorrência maloclusão e seus tipos. A duração da amamentação e as maloclusões foram coletadas por meio de informações durante os acompanhamentos, sendo avaliados 4 tipos de maloclusão por meio do critério de Foster e Hamilton: mordida aberta, mordida cruzada, sobressalência e caninos em classe II. As razões de prevalência (RP) foram estimadas por meio de um modelo de regressão de Poisson. As inferências estatísticas foram baseadas em intervalos de confiança de 95% (IC 95%). A menor prevalência de maloclusão foi em crianças amamentadas por pelo menos 2 anos de idade (17,7%), enquanto a maior foi observada em crianças que sempre usaram utilizaram o bico: mordida aberta anterior (88,7%), mordida cruzada posterior (67,1%) e relação canina classe II (66,8%), overjet (30,1%). Após análise ajustada para uso do bico, o efeito protetor da amamentação foi anulado. Portanto, quanto maior o período de amamentação, menor a incidência de maloclusão e uso do bico. Os achados desta tese reforçam os efeitos deletérios do uso do bico no desenvolvimento oclusal, mesmo com a prática da amamentação.

