Rendimento de oliveiras e qualidade do azeite em resposta à adubação nitrogenada e potássica
Resumo
A Oliveira (Olea europaea L.) é cultivada normalmente em regiões semiáridas do mediterrâneo caracterizadas por apresentarem elevadas temperaturas e baixo índice pluviométrico. Entretanto, nas últimas décadas a área de cultivo de oliveira tem expandido principalmente em regiões não tradicionais, as quais apresentam distintas condições de solo e clima. Embora a oliveira seja adaptada a uma ampla gama de condições edafoclimáticas e de solo, há uma carência de informações sobre a resposta desta cultura à adubação de crescimento e de produção nas condições do Sul do Brasil, local este que representa a maior área cultivada do país. O objetivo central deste trabalho foi investigar os efeitos da adubação nitrogenada e potássica no crescimento, nutrição, produtividade e na qualidade do azeite de oliva. Os trabalhos foram desenvolvidos em olivais comerciais localizados nos municípios de Pelotas e Canguçu, Rio Grande do Sul, Brasil, entre 2018 e 2023. Para a fase de crescimento, foram conduzidos dois estudos, um com diferentes doses de N mineral (ureia) e outro com diferentes doses de N na forma de adubo orgânico, onde em ambos os trabalhos foram analisados parâmetros de crescimento, nutrição e o primeiro ciclo produtivo das plantas. Durante a fase produtiva foram conduzidos três estudos: o primeiro foi a aplicação de diferentes doses de N (ureia) em oliveiras cv. ‘Arbequina’ e o segundo estudo foi a aplicação de diferentes doses de K (KCl) em oliveiras cv. ‘Koroneiki’, onde foram avaliados parâmetros produtivos, nutrição das plantas, nutrientes no solo além de rendimento e qualidade do azeite. Por fim, para o último estudo, realizou-se a correlação do índice SPAD com o teor foliar de N em oliveiras cv. ‘Arbequina’, para avaliar a viabilidade técnica da utilização do índice SPAD na estimativa do teor foliar N. A adubação orgânica elevou o crescimento das plantas, melhorou o status nutricional e a qualidade química do solo. A aplicação de N mineral promoveu maior crescimento das plantas e maior teor de N foliar. A adubação nitrogenada na fase produtiva elevou os teores de N foliares, produtividade e alterou aspectos qualitativos do azeite de oliveiras ‘Arbequina’. A adubação potássica elevou os teores de K no solo e nas folhas de oliveiras ‘Koroneiki’, o rendimento de azeite, índice de peróxidos e capacidade antioxidante do mesmo. Os resultados destes trabalhos contribuem para a recomendação de programas de adubação em oliveiras, especialmente na fase de crescimento e produtiva da cultura, além de direcionamentos para pesquisas futuras.