Desenvolvimento de duas formulações de enxaguante bucal à base de Cloramina T: um estudo in vitro
Resumo
Certas patologias bucais podem acarretar na perda dental, em destaque a cárie, uma patologia multifatorial que afeta os tecidos duros dos dentes, desmineralização e inflamação gengival. O desenvolvimento do biofilme dental e as cáries estão diretamente relacionados. A clorexidina consolidou-se como padrão outro como tratamento; no entanto, pesquisas sugerem preocupações quanto à resistência bacteriana ao medicamento, destacando a necessidade de alternativas. Faz-se necessário desenvolver novas composições e avaliar suas características. Este estudo propôs desenvolver duas formulações de enxaguante bucal com base em cloramina T, caracterizá-las e avaliar suas propriedades citotóxicas, antibacterianas e anti-biofilme, bem como sua estabilidade. Desenvolvemos duas formulações contendo Cloramina, uma projetada para o público infantil e outra para o público adulto. As formulações foram caracterizadas utilizando espectroscopia FT-IR, análise termogravimétrica (TGA) e calorimetria de varredura diferencial (DSC). Sua estabilidade foi pela medição de pH por 60 dias em 3 diferentes condições. A atividade antimicrobiana foi determinada por microdiluição em caldo, seguida da curva de morte. A atividade antibiofilme das formulações foram avaliadas utilizando o ensaio de quantificação por cristal violeta, dosagem de carboidratos totais e microscopia de força atômica (MFA). A atividade citotóxica foi realizada através de ensaios hemolíticos, MTT e vermelho neutro. RESULTADOS: Resultados indicam que ambas as formulações foram estáveis a 4ºC. A caracterização sugere que a cloramina T se manteve presente após a preparação das formulações. Ambas foram eficazes quanto às atividades antibacterianas, com CIM e CBM de 3,125 mM para S. mutans e 0,875 mM para S. aureus, com característica bactericida. A curva de morte bacteriana corrobora a atividade contra as cepas utilizadas. Os ensaios antibiofilme demonstraram atividade contra todos os biofilmes formados, com quantificação reduzida por cristal violeta e dosagem de carboidratos quando há aplicação das formulações. A atividade antibiofilme é corroborada com os resultados demonstrados pela MFA. Citotoxicidade elevada foi demonstrada em todos os ensaios realizados, com média de IC50 das formulações de 0,849 mM (F1) e 1,106 mM (F2). Conclui-se que ambas formulações, apesar de demonstrarem elevada citotoxicidade, demonstraram resultados promissores em relação às atividades in vitro das atividades antibacteriana e anti-biofilme de S. aureus e S. mutans, apresentando também certa estabilidade e suas caracterizações sugerem a presença estável do composto após a síntese das formulações. Portanto, sugere-se uma nova proposta de tratamento alternativo aos já utilizados comercialmente.

