Envelhecer das mulheres que vivem em área rural a partir de suas trajetórias de vida
Resumo
O estudo teve como objetivo compreender o envelhecer das mulheres que vivem em
área rural a partir de suas trajetórias de vida. Trata-se de uma pesquisa qualitativa
fundamentada no referencial teórico do Interacionismo Simbólico. A coleta de dados
ocorreu nas Feiras Livres e no Sindicato Rural dos Trabalhadores de Pelotas, no Rio
Grande do Sul, Brasil, com 10 mulheres de 60 anos ou mais, provenientes de
diferentes localidades da área rural. As participantes foram selecionadas
intencionalmente entre maio e junho de 2024. Para a coleta de dados, utilizou-se a
entrevista semiestruturada presencial que foram gravadas em áudio, e transcritas
manualmente. A análise dos dados foi realizada por meio do método comparativo
constante, seguindo a codificação do paradigma construtivista de Charmaz. Para as
mulheres que vivem em áreas rurais, o envelhecer é um processo complexo,
marcado pelo adoecimento do corpo e limitações, mas também pelo desejo de se
manter ativas e produtivas. Essa fase envolve (re)aprender e (con)viver com novos
desafios, e reconhecer a sabedoria adquirida ao longo dos anos. As interações
sociais com o trabalho, a família, os vizinhos e a comunidade, juntamente com a
aceitação das transformações e o enfrentamento das dificuldades, são essenciais
para dar sentido à vida e manter a qualidade e a satisfação na velhice. Além de que,
as redes de sociabilidade entre essas mulheres, que se formam por meio de
interações com vizinhas e em grupos de senhoras nas igrejas não apenas
fortalecem relações sociais, mas também (re)afirmam seus papéis e identidades,
promovendo resiliência e empoderamento. Festas e atividades na comunidade
desempenham um papel fundamental para a saúde física, mental e emocional,
oferecendo momentos de entretenimento e interação. Ao incorporar práticas sociais
e comunitárias no cuidado, a enfermagem não só melhora a qualidade de vida das
mulheres, mas também contribui para um sistema de saúde pública mais
competente e humano. A compreensão do envelhecer sob a perspectiva do
interacionismo simbólico oferece diretrizes para práticas de saúde, especialmente na
atenção primária à saúde. O reconhecimento das diferentes interpretações desse
processo é crucial para o planejamento de ações, programas e políticas públicas que
valorizem as vivências e experiências das mulheres e atendam às expectativas e
necessidades específicas dessa população.
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