Revisão do conhecimento sobre diversidade e evolução de esfingídeos (Lepidoptera: Sphingidae), incluindo registros de ocorrência e mapas de distribuição para as espécies do Brasil
Resumo
Devido sua grande capacidade de voo e sua longa probóscide, as mariposas da família Sphingidae são polinizadoras fundamentais, prestando serviços ambientais importantes e oferecendo subsídios para estudos ecológicos. Em virtude de suas características excepcionais, os esfingídeos são objetos de estudo em linhas que incluem interações planta-esfingídeo, biogeografia, genética, morfologia, avaliações de biodiversidade, qualidade de habitat, controle ambiental, dentre outros. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi desenvolver (i) uma revisão bibliográfica do estado da arte do conhecimento relativo à diversidade e evolução de Sphingidae; (ii) a compilação dos dados de registro de ocorrência dos esfingídeos do Brasil; e (iii) a elaboração de mapas de distribuição para as espécies da fauna Brasileira. Para a revisão, foram consultados bancos de referências com foco em Sphingidae, e para a os dados de distribuição e ocorrência da família, foram compilados dados disponíveis em trabalhos publicados, sites de bases de dados e coleções entomológicas. Com base na revisão bibliográfica, optou-se por dar enfoque maior aos assuntos referentes à evolução do formato e tamanho das asas, alongamento da probóscide e a interação dessas mariposas com as plantas polinizadas. Como principal conclusão, temos que a evolução da morfologia dos esfingídeos foi em grande parte relacionada ao seu hábito de alimentação flutuante, considerando-se também questões relativas ao gasto energético associado, diferente de espécies de mariposas de outras famílias. Além disso, essas mariposas coevoluíram com as plantas, formando relações muitas vezes específicas e interdependentes. Com relação ao levantamento da fauna brasileira foram encontrados registros de 208 espécies de esfingídeos, divididas em 32 gêneros. A partir desses dados, foram elaborados 82 mapas de distribuição da família, com seus pontos de ocorrência pelo país contextualizados nos biomas. Das espécies listadas, 129 ocorrem na Mata Atlântica, sendo este o bioma com o maior número de espécies e também de possíveis endemismos (26 espécies). Para a Amazônia, foram encontradas 109 espécies, seguida do Cerrado, com 54, Caatinga, com 22, e o Pampa, com 21 espécies. Para o Pantanal, não foram encontrados registros de ocorrência exatos, embora existam espécies com distribuição conhecida que contemplam áreas desse bioma. Os resultados demonstram a vasta esfingofauna existente no Brasil, e a alta riqueza e abundância de esfingídeos ocorrentes nas regiões de Mata Atlântica e Amazônia. Os trabalhos sobre a distribuição e as interações ecológicas dos esfingídeos ainda são escassos, ressaltando a importância de que mais pesquisas sobre essa família sejam necessárias para que tenhamos melhor entendimento sobre a evolução e distribuição destas mariposas nas regiões neotropicais.

