Daktulosphaira vitifoliae (Fitch, 1856): alternativas de controle, interação com fungos fitopatogênicos e registro de Harmonia axyridis (Pallas, 1773) como predador em cultivos de videira no sul do Brasil
Resumo
Daktulosphaira vitifoliae (Fitch, 1856) conhecida como filoxera-da-videira é um inseto sugador que se alimenta das folhas (forma galícola) e raízes (forma radícola) de espécies do gênero Vitis. O inseto é a principal praga da viticultura mundial e no sul do Brasil está associada ao declínio e morte de plantas de videira. Esse trabalho teve como objetivo: (I) estudar alternativas de controle de ovos de inverno em estacas lenhosas do porta-enxerto ‘Paulsen 1103’; (II) avaliar o efeito de bioinseticidas sobre a forma radícola em laboratório; (III) estudar a interação entre a filoxera-da-videira, porta-enxertos e fungos fitopatogênicos associados ao declínio e morte de plantas de videira e (IV) conhecer os inimigos naturais da forma galícola de D. vitifoliae no campo. Para o controle dos ovos de inverno, estacas lenhosas do porta-enxerto ‘Paulsen 1103’ foram submetidas aos tratamentos: a) Câmara fria (temperatura entre 2/4ºC), b) Câmara fria + tratamento térmico (50Cº) por 30 min, c) Câmara fria + hipoclorito de sódio (2%), d) Câmara fria + Sivanto® Prime 200 SL (0,8mL p.c/L) e) Câmara fria + Provado® 200 SC (0,5mL p.c/L). Para o controle da forma radícola, os seguintes bioinseticidas foram avaliados em raízes de ‘Cabernet Sauvignon’ em Laboratório: a) Meta-Turbo® SC (Metarhizium anisopliae IBCB 425, 1 mL p.c/L), b) Metarril® WP E9 (Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok., E9, 2,5mL p.c/L), c) Bovéria-Turbo® (Beauveria bassiana IBCB66, 2mL p.c/L), d) FlyControl® WP (Beauveria bassiana, Simbi BB 15, 1,5mL p.c/L), e) Octane® (Isaria fumosorosea CEPA ESALQ-1296, 2,6 mL p.c/L) e f) Eco Tirano® (Extrato vegetal a base de alho, Uréia, Ác. Bórico e água, 3mL p.c/L). Em casa de vegetação, mudas micropropagadas dos porta-enxertos ‘Paulsen 1103’ (Vitis berlandieri x Vitis rupestris) e ‘1111-21’ (V. labrusca x V. rotundifolia) foram avaliados quanto a interação entre a forma radícola da filoxera e os fitopatógenos Dactylonectria macrodidyma, Ilyonectria liriodendri, Neofusiccocum parvum e Phaeomoniella chlamydospora. Para avaliar os inimigos naturais da forma galícola da filoxera-da-videira foram coletadas safras 2021/22 e 22/23, quinzenalmente, folhas de videira em campo contendo galhas de filoxera avaliando em laboratório a presença de inimigos naturais. O tratamento térmico a 50ºC por 30 min foi efetivo para controle de ovos de inverno de D. vitifoliae em estacas do porta-enxerto ‘Paulsen 1103’ impedindo a formação de galhas nas folhas após a brotação. O emprego de Câmara fria + Hipoclorito de sódio não foi eficaz no controle dos ovos de inverno enquanto que os inseticidas Provado® 200 SC e Sivanto® Prime 200 SL apresentaram mortalidade de 100% e 98,8% respectivamente. Aos 15 dias após a avaliação, os fungos entomopatogênicos Meta-Turbo® SC, Metarril® WP E9, Bovéria Turbo®, FlyControl® WP e Octane® não causaram mortalidade significativa da forma radícola da filoxera enquanto que o Eco Tirano® proporcionou uma mortalidade de 72,6%. Houve interação entre D. vitifoliae e as espécies de fitopatógenos fúngicos Neofusiccocum parvum e 8 Phaeomoniella chlamydospora. Foi registrado pela primeira vez no Brasil larvas e adultos de Harmonia axyridis predando todos os estágios de desenvolvimento de Daktulosphaira vitifoliae em campo.

