Alterações do tecido adiposo promovidas por diferentes protocolos de treinamento físico seguidos por período de destreino

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Data
2024-12-17Autor
Souza, Alex Sander Souza de
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Síndrome geral da adaptação e o modelo de supercompensação são temáticas
frequentemente aplicadas na ciência do exercício. Mudanças metabólicas em
resposta a estímulos decorrentes de exercícios podem promover efeitos
compensatórios em diferentes sistemas, incluindo tecidos orgânicos e substratos
energéticos. Tem sido identificado que protocolos específicos de treinamento podem
promover efeito compensatório em concentrações de substratos energéticos e tecidos
corporais. Neste sentido, evidências prévias sugerem que o tecido muscular e o tecido
adiposo também apresentam efeito compensatório. Porém, não há investigações
específicas comparando efeitos compensatórios de exercício intermitente em alta
intensidade e contínuo de intensidade moderada na gordura corporal. A presente tese
de doutorado constrói, portanto, a hipótese de que, ao se considerar que a gordura é
tecido essencial e fonte energética primária para exercícios contínuos de intensidade
moderada, este tipo de esforço poderia promover compensação e efeitos adversos
ligados a fatores obesogênicos após período de destreinamento. Portanto, esta
resposta biológica foi investigada para determinar se o efeito de compensação é ou
não dependente dos protocolos de exercício. Com isso, o objetivo da presente tese
foi investigar os efeitos de diferentes modelos de exercício na celularidade dos
tecidos, e especificamente quanto a processos supercompensatórios no período de
destreinamento. Para tal foram conduzidos: i) revisão sistemática da literatura com
metanálise sobre os efeitos do destreinamento físico sobre a massa dos adipócitos e
ii) estudo experimental, no qual, ratos foram alocados em três grupos: a) Treinamento
contínuo de intensidade moderada (TCIM); b) Treinamento intervalado de alta
intensidade (TIAI); e c) Grupo controle (GC). Os animais se exercitaram em esteira
durante oito semanas e acompanhados por quatro semanas após a interrupção da
pratica do exercício físico. Foram avaliadas variáveis morfométricas, no período de base, após oito semanas de treinamento e depois de quatro semanas de
destreinamento. A partir do resultado do estudo de intervenção percebeu-se que
houve aumento da área de tecido adiposo perilombar e perirenal após destreino,
menor peso de tecido adiposo perilombar no TIAI e TCIM quando comparado ao GC;
TIAI e TCIM apresentaram menores valores médios de peso do tecido adiposo
perirrenal quando comparados ao GC. Por fim a porcentagem de declínio da glicemia
foi mais significativa no grupo HIIT quando comparado ao GC. Já os resultados obtidos
a partir da metanálise revelaram que, a massa de adipócitos e a massa corporal foram
menores em ratos treinados (sejam submetidos a TIAI ou TCIM) em comparação ao
grupo controle. No entanto, não houve efeito significativo na área de adipócitos,
diâmetro de adipócitos ou resistência à insulina. Esta tese evidencia que tanto o TIAI
quanto o TCIM podem minimizar os efeitos compensatórios da massa de tecido
adiposo após o destreinamento. O TIAI, em particular, mostrou benefícios adicionais
no controle glicêmico, os resultados da metanálise corroboram esses achados.
