Associações bidirecionais entre atividade física e sintomas depressivos e seus efeitos inter-relacionados na mortalidade em idosos: evidências da coorte “COMO VAI?” em Pelotas/RS
Resumo
A presente tese é composta por dois artigos elaborados através dos dados de um
estudo de coorte denominado “COMO VAI?”, conduzido com amostra representativa
da população idosa da cidade de Pelotas-RS. No primeiro artigo, tivemos como
objetivo avaliar associações bidirecionais e longitudinais entre atividade física (AF) e
sintomas depressivos (SD). As análises utilizaram dados do baseline (2014) e um
acompanhamento realizado em 2019/20. Foi aplicada a versão longa do Questionário
Internacional de Atividade Física (IPAQ) para avaliar a AF nos domínios de lazer,
deslocamento e total (permitindo estimativas combinando os dois domínios como AF
total). A presença dos SD foi medida através da Escala de Depressão Geriátrica
(GDS-10), sendo um escore ≥5 considerado presença de SD. Modelos de regressão
linear foram usados para avaliar associações bidirecionais entre AF e SD. Amostra
analítica desse primeiro estudo incluiu 515 indivíduos com média de idade de 70,7
(±9,2) anos. A AF total (β: -0,0006; IC 95%: -0,0011; -0,0001) e AF deslocamento (β:
-0,0008; IC95%: -0,0016; -0,0001) em 2014 foi preditor de piores escores de SD em
2019/20. Ao mesmo tempo, escore de SD em 2014 (β: -9,79; IC 95%: -18,81; -0,76)
foi preditor de menor prática da AF lazer no seguimento 2019/20, ajustado para
aspectos sociodemográficos e outros comportamentos de saúde. Entretanto, quando
ajustado para os respectivos desfechos no baseline, as associações encontradas não
se mantiveram estatisticamente significativas. O presente estudo não encontrou
evidências de bidirecionalidade entre AF e SD. Já no artigo 2, foi avaliado o papel
moderador e mediador da AF na associação entre SD e mortalidade por todas as
causas. As análises também utilizaram dados do baseline (2014) e do primeiro
acompanhamento realizado em 2017. A AF foi avaliada nos domínios de lazer,
deslocamento e total através do IPAQ. Por acelerometria, através do GENEActive®,
foram avaliadas a AF moderada a vigorosa (AFMV) e geral. As informações de
mortalidade foram identificadas por meio de relatos de familiares, vizinhos e nas
declarações de óbitos, todas confirmadas pelo Sistema de Informações sobre
Mortalidade do Serviço Municipal de Saúde. Modelos de regressão de Cox foram
usados para avaliar a associação entre SD e mortalidade por todas as causas
moderada pela AF. Conduzimos uma análise usando decomposição de quatro vias,
que unifica mediação e interação para avaliar a mediação da AF nesta relação.
Amostra analítica do artigo 2 contou com participação de 1394 idosos com média de
idade de 70,7 (±9,2) anos. Os idosos com SD apresentaram risco duas vezes maior
de mortalidade em comparação aos sem sintomas (HR 2.31; 95% IC: 1.45; 3.68). A
AFMV (HR 3.13; 95% IC: 1.16; 8.50) e geral (HR 5.26 95% IC: 1.62; 17.04), ambas
por acelerometria, e os domínios de lazer (HR 2.33 95% IC 1.12; 4.85) e total (HR
2.37 95% IC 1.05; 5.35) moderaram a associação entre SD e mortalidade. AF de
deslocamento não foi um moderador na associação entre SD e mortalidade. Além
disso, não foi observado um efeito mediador para nenhuma das medidas de AF na
associação entre SD e mortalidade. A prática de AF mesmo abaixo do recomendado
pode minimizar os efeitos dos SD na mortalidade em idosos. Nossas evidências
trazem motivações adicionais para a implementação de práticas e políticas para
aumentar a AF em idosos com SD.
Palavras-chave: Sintomas Depressivos; Atividade Física; Idosos; Estudo de Coorte;
Saúde mental; Acelerometria.

