Obesidade e satisfação corporal: um estudo de base populacional em Pelotas, RS
Resumen
Objetivo
Avaliar a confiabilidade do índice de Massa Corporal (IMC), calculado através do peso e altura auto-referidos, para predizer o estado nutricional de adultos e identificar fatores associados ao erro de classificação.
Métodos
A partir de um estudo transversal de base populacional incluindo 3934 indivíduos maiores de 20 anos realizado em Pelotas, RS, foi sorteada uma subamostra de 140 indivíduos nos quais foram coletadas as medidas de peso e altura, calculando-se os IMCs com as medidas coletadas e referidas. A partir da comparação entre os IMCs calculou-se o erro médio do IMC referido, identificando-se as características dos indivíduos que apresentaram erro na informação das medidas. Através de equação de regressão linear calculou-se o IMC “corrigido”. A concordância entre os IMC medidos, “referido” e “corrigido” foi avaliada através do teste Kappa e gráfico de Altman.
Resultados
O IMC “referido” é subestimado por mulheres, independente de seu estado nutricional, enquanto que entre os homens, esse dado mostrou-se confiável. Em mulheres, idade, renda familiar, atitude para perder peso e estado nutricional mostraram-se associadas à subestimativa de IMC na análise bivariada, porém na análise multivariada permaneceram significativas apenas idade e renda familiar. Assim, mulheres acima de 50 anos e de menor renda subestimaram o IMC em mais de 2 kg/m².
Conclusões
A utilização do IMC “referido” para predizer o estado nutricional de adultos deve ser utilizada com cautela, pois pode resultar em subestimativa da prevalência de obesidade e superestimativa do sobrepeso em mulheres. A correção minimiza esse tipo de viés, tornando os dados confiáveis.

