O Fenômeno Impostor em servidoras técnico administrativas: um estudo em uma universidade federal
Resumo
A atuação dos servidores Técnico Administrativos em Educação (TAEs) é
fundamental para a sustentação das atividades de ensino, pesquisa, extensão e
gestão nas Instituições de Ensino Superior (IES). Nesse contexto, torna-se
pertinente destacar o Fenômeno Impostor (FI), definido na literatura pela dificuldade
em internalizar conquistas, pela autopercepção de não merecimento e pela
tendência de atribuir êxitos a fatores externos. O presente estudo teve como objetivo
investigar como o FI se manifesta entre TAEs de uma universidade pública federal,
analisando fatores que influenciam suas experiências profissionais e possíveis
estratégias de enfrentamento. Para tanto, foi adotada uma abordagem
qualiquantitativa, com aplicação da Escala do Fenômeno Impostor de Clance (CIPS)
a 169 participantes, incluindo questões abertas que permitiram aprofundar
dimensões sociais, psicológicas, profissionais e culturais. Os resultados quantitativos
revelaram que 75% das respondentes apresentaram o FI em algum nível, sendo
34% em grau moderado, 32% em grau frequente e 9% em grau intenso, o que
significa que mais de 40% convivem com sentimentos impostores acentuados. A
análise qualitativa evidenciou elementos como autocrítica exacerbada, medo de
avaliações, dificuldade em aceitar elogios, atribuição do sucesso à sorte e a
percepção de que estímulos institucionais de reconhecimento poderiam ampliar a
motivação no trabalho. Observou-se ainda que mulheres mais jovens e sem cargos
de direção, ou função gratificada, tendem a ser mais vulneráveis ao FI. A partir dos
achados, foi elaborado um Guia de Recomendações, apresentado como Produto
Técnico-Tecnológico, vinculado ao PROFIAP, estruturado em três eixos: prevenir,
reconhecer e enfrentar, com sugestões práticas de gestão de pessoas voltadas à
valorização simbólica, ao bem-estar e à construção de ambientes de trabalho mais
saudáveis e equitativos. Assim, a pesquisa contribui para o avanço do conhecimento
sobre o FI no serviço público e para o desenvolvimento de políticas institucionais de
valorização das competências femininas, contribuindo para reduzir impactos
psicológicos e organizacionais associados ao fenômeno.

