Casas de pedra dos imigrantes italianos na Serra dos Tapes: a arquitetura vernacular que resiste ao tempo

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Data
2025-06-26Autor
Bosenbecker, Vanessa Patzlaff
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Mostrar registro completoResumo
Esta pesquisa investiga as casas de pedra construídas pelos imigrantes italianos na Colônia Maciel, situada na Serra dos Tapes, Pelotas/RS, analisando os fatores sociais, culturais e materiais que asseguram sua continuidade na paisagem ao longo do tempo, para além da solidez técnica da construção. Utilizando a metodologia dialética, que permite a análise das contradições e transformações com o passar do tempo, os procedimentos metodológicos incluem a documentação arquitetônica por meio de levantamentos orientados pelo sistema de inventários do Iphan, a elaboração de passeios virtuais, a História Oral e a cartografia social. A pesquisa se apoia nas categorias de análise arquitetônica de Simon Unwin (2013), nas teorias de taskscape (tarefagem) e habitação de Tim Ingold (1993, 2005), no conceito de duração de Henri Bergson (1999) e na ideia de ressonância patrimonial de José Gonçalves (2005). Os resultados revelam que essas construções resistem ao tempo não apenas pela sua técnica construtiva, mas pela integração a uma paisagem de tarefas (taskscape) e pela ressonância patrimonial, isto é, pela forma como continuam a fazer sentido para aqueles que as habitam e ressignificam. A preservação dessas edificações ocorre quando há uma relação ativa entre a arquitetura, a memória e a funcionalidade. Enquanto algumas permanecem habitadas e adaptadas a novos usos, outras perdem sua conexão com as práticas cotidianas e são abandonadas. A continuidade dessas casas, portanto, depende da sua integração às redes de vida e de trabalho das famílias proprietárias. Quando mantêm vínculos com o presente – seja pelo seu uso associado à atividade produtiva ou pelo valor simbólico –, essas edificações permanecem vivas. Por outro lado, quando perdem sua função ou deixam de ser reconhecidas como parte da identidade, tornam-se ruínas. Dessa forma, a pesquisa contribui para um entendimento mais amplo da arquitetura vernacular da imigração italiana no Rio Grande do Sul e da arquitetura de imigração na Serra dos Tapes, demonstrando que o patrimônio não se sustenta apenas por medidas formais de patrimonialização, mas pela capacidade de uma edificação seguir sendo habitada e ressignificada ao longo do tempo. No entanto, destaca-se a necessidade de adotar estratégias de reconhecimento oficial mais flexíveis, que considerem as diversas dimensões da patrimonialidade. A pesquisa sugere que a preservação deve ser fundamentada na participação ativa das comunidades e na valorização das práticas cotidianas de conservação. Além disso, aponta para a importância de explorar novas abordagens para a preservação da arquitetura vernacular, abrindo caminho para investigações futuras nesse campo de estudo.
