Conectividade e integração dinâmica entre os bancos no Brasil
Resumo
Esta tese buscou analisar a conectividade e a integração dinâmica entre os bancos que operam no Brasil em dois ensaios. No primeiro ensaio, investigou-se a integração dinâmica e o risco de contágio entre as ações dos principais bancos do mercado de ações brasileiro. O período de análise vai de 30 de abril de 2009 a 11 de março de 2022, captando assim os efeitos de contágio do período mais crítico da pandemia de COVID-19 no Brasil. A base de dados é composta por 14 ações dos principais bancos listados na Bolsa de valores de São Paulo (B3). Utilizou-se a metodologia de conectividade dinâmica no domínio da frequência baseada em um modelo TVP-VAR. Os resultados mostraram uma integração influenciada por eventos políticos, sociais, econômicos e, principalmente, pela pandemia de COVID-19. O nível dessa integração variou de 20% a mais de 50%. O pico mais alto coincidiu com o início do aumento de casos de COVID-19 no ano de 2020. As transmissões de curta duração foram predominantes em todo o período analisado. Os bancos que apresentaram os maiores potenciais de risco de contágio foram o Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3) e Itaú-Unibanco (ITUB3) com predominância de transmissões de choques de curto prazo. O comportamento dinâmico da integração amostral revelou que existe a possibilidade de diversificação de risco em uma carteira composta por ações desses bancos, uma vez que as ações dos bancos analisados apresentaram diferentes padrões de resposta aos mesmos eventos. O segundo ensaio teve como objetivo geral analisar a conectividade de volatilidade entre as ações dos principais bancos que operam no Brasil que estão listados na B3 durante períodos normais de mercado. O período de análise vai de 01 de fevereiro de 2016 a 17 de março de 2020. A base de dados é composta por 12 ações dos principais bancos listados na B3. Utilizou-se a metodologia da conectividade dinâmica no domínio da frequência. Os resultados mostraram que em períodos normais de mercado e também quando há situações pontuais de incerteza, a volatilidade das ações bancárias no Brasil é transmitida aos preços inicialmente dentro de uma semana. Posteriormente, há um período de um mês no qual a conexão é reduzida a níveis abaixo dos 5%. Nesse período, os agentes processam as informações que possam gerar repercussões mais duradouras no mercado, o que culmina em um novo aumento da conectividade após um mês da ocorrência daqueles eventos que consideraram como relevantes. Além disso, a conectividade direcional líquida de baixa frequência foi a única frequência com conexão em nível relevante, depois da faixa de frequência de 1 a 5 dias. Constatou-se também que os maiores transmissores líquidos de choques foram o Banco do Brasil, o Itaú, o Bradesco e o banco ABC Mercantil. Com isto, evidenciou-se o potencial que as ações desses bancos têm de afetar sistematicamente o desempenho do mercado de ações bancárias brasileiro. Principalmente porque os choques nos preços das ações desses bancos persistem por mais tempo e com mais força do que os choques dos demais bancos.

