O si-mesmo na filosofia de Friedrich Nietzsche: uma investigação sobre seus múltiplos sentidos e seu significado

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Data
2024-12-16Autor
Corrêa, Paulo Rogério da Rosa
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Mostrar registro completoResumo
O trabalho de tese de doutorado tem como objetivo investigar os sentidos e o
significado do si-mesmo na filosofia de Friedrich Nietzsche. A hipótese principal
é de que o si-mesmo comporta uma variedade de sentidos e um significado. Por
sentido, entendemos as diversas maneiras pelas quais o si-mesmo é
apresentado e por significado o que de fato é representado por meio dessa
noção. Pensamos, assim, que o si-mesmo apresenta muitas formas, que podem
ser um conceito (“instinto”, “ego”, “grande razão”, “alma”), um termo (“Algo”,
“Isso”), uma noção (“providência pessoal”) ou ainda uma expressão (“tornar-te o
que é”, “granito de fatum espiritual”). O significado, por sua vez, sempre indica
aquilo que é próprio, insuprimível a um determinado indivíduo, a uma tipologia
ou uma cultura (como a grega ou a alemã). Ao longo da investigação é possível
identificar que o si-mesmo se conecta a um Todo, variável conforme plano
ontológico adotado pelo filósofo em diferentes momentos de sua produção
filosófica. Inicialmente (1872 até 1876), o Todo corresponde ao Uno-primordial,
que funciona como sustentáculo aos impulsos dionisíaco e apolíneo, bem como
à Vontade. Em um segundo momento (1878 até 1882) Nietzsche reivindica a
“observação psicológica” sobre as paixões e os impulsos, bem como, o
questionamento sobre a dicotomia entre altruísmo e egoísmo. Esta em jogo,
portanto, a concepção do homem como um ser natural. Nas obras posteriores
ao quarto livro de A gaia ciência (1883 até 1888) o Todo corresponde à vontade
de poder e à organização hierárquica das forças presentes, tanto naquilo que é
próprio, quanto na constituição do mundo. Em outras palavras, as características
e os aspectos do si-mesmo vão depender do percurso filosófico de Nietzsche,
bem como dos debates com os quais se defronta. É decorrente desse
entendimento a organização que adotamos no que diz respeito à estruturação
dos capítulos. O primeiro capítulo destina-se às obras que vão de O Nascimento
da tragédia, de 1872, até a IV Consideração Extemporânea: Richard Wagner em
Bayreuth, de 1876. O segundo capítulo abrange do primeiro volume de Humano,
demasiado humano, de 1878, até os quatro primeiros livros de A gaia ciência, de
1882. O terceiro e o quarto capítulos são destinados à abordagem do si-mesmo
nas obras que iniciam em 1883, com Assim falou Zaratustra, até as obras finais
em 1888.
