Narrativas de cuidadoras e professoras auxiliares de crianças identificadas com Transtorno do Espectro Autista no município de Pelotas: sensibilidades em torno do ensino e da aprendizagem de matemática
Resumo
Esta pesquisa analisa as narrativas de cuidadoras e professoras auxiliares que atuam
nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental em duas escolas públicas do município de
Pelotas, no contexto do ensino de matemática e da inclusão de crianças
diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Inserida no campo da
Educação Matemática, a pesquisa adota aspectos da metodologia da História Oral,
utilizando entrevistas como principal instrumento de coleta de dados. Partimos do
pressuposto de que essa abordagem possibilita a produção de narrativas que
favorecem compreensões e reflexões sobre as experiências compartilhadas pelas
participantes. As instituições selecionadas apresentam contextos geográficos e de
inclusão distintos. A primeira, localizada na zona urbana, é reconhecida pela sua
atuação inclusiva, caracterizada pelo trabalho conjunto entre professoras auxiliares e
cuidadoras. A segunda, situada na zona rural, também recebe alunos autistas, porém
conta apenas com uma professora auxiliar em sua equipe. Para a pesquisa, foram
selecionadas duas cuidadoras e duas professoras auxiliares, que relataram suas
experiências por meio de entrevistas semiestruturadas. O objetivo central do estudo é
analisar as narrativas referentes a desafios vivenciados por essas profissionais no
processo de inclusão escolar, com ênfase na Educação Matemática Inclusiva para
alunos autistas. Um aspecto relevante identificado nas narrativas é a distinção entre
as funções das cuidadoras e das professoras auxiliares. Embora desempenhem
papéis complementares, suas atribuições não estão claramente definidas na prática,
o que evidencia dificuldades na efetivação da inclusão escolar. Os relatos das
participantes indicam que discutir inclusão vai além da reflexão sobre práticas
pedagógicas, abrangendo também a necessidade de repensar a escola como um
espaço de acolhimento e transformação, no qual a singularidade dos alunos seja
respeitada. Com esta pesquisa, esperamos contribuir para o avanço da Educação
Inclusiva, documentando fontes orais relevantes e fomentando reflexões sobre
práticas inclusivas no ensino de matemática nos primeiros anos do Ensino
Fundamental.

