Biopolímeros de macroalgas: extração, caracterização e aplicação sustentável na área da restauração de pinturas
Resumo
Os bens culturais inevitavelmente sofrem com processos de degradação. Além disso,
estão sujeitos a inúmeros riscos relacionados aos desastres ambientais. Na última
década, pesquisas envolvendo géis e hidrogéis em limpeza de pinturas foram
intensificadas, principalmente com a utilização de biopolímeros. Os biopolímeros de
macroalgas são um recurso interessante, pois possibilitam ampla modificação química
e utilização. Neste trabalho, alginato e celulose foram extraídos da macroalga
Lessonia Flavicans com bons rendimentos, 12% e 14% respectivamente. Os materiais
obtidos foram caracterizados química e morfologicamente através de análises de
DRX, FTIR, RMN, MEV e TG, além disso o alginato foi caracterizado por
espectroscopia de UV-VIS e medidas reológicas foram realizadas através do
viscosímetro. Em todas as análises foram obtidos resultados muito semelhantes aos
padrões comerciais. Foram realizados testes de aplicação em uma obra do acervo de
pinturas do MARGS, atingida pela enchente em maio de 2024. A pintura testada é de
autoria do artista Ado Malagoli. A fim de avaliar a eficácia do surfactante na limpeza,
foram desenvolvidas seis diferentes formulações com os biopolímeros em hidrogéis,
com o Tween 80 e o TTA como surfactantes. Destas formulações, todas com o Tween
80 mostraram-se eficazes, sendo ele como único surfactante ou combinado com o
TTA. Esta pesquisa é atual e promissora na área da limpeza de pinturas,
principalmente quando envolve a necessidade de controle de umidade e atrito em
camadas pictóricas mais fragilizadas.

