Avaliações de creme cicatrizante com extratos vegetais de urucum e trigo associado à imunomodulação junto ao tratamento convencional da esporotricose
Resumo
A esporotricose é a micose de implantação subcutânea mais importante do Brasil,
causada por fungos do Complexo Sporothrix schenckii, e que frequentemente
acomete humanos, cães e, principalmente, gatos. A esporotricose felina e a
transmissão zoonótica vêm crescendo no Brasil, e casos de falhas do tratamento
convencional já foram relatados. Neste trabalho objetivou-se avaliar a eficácia de
fórmulas contendo ativos de extratos vegetais de Bixa Orellana L. (urucum) e Triticum
aestivum (trigo), assim como da timomodulina como adjuvantes no tratamento de
lesões cutâneas de esporotricose, em experimentos in vitro e in vivo em modelo
murino e em gatos. Inicialmente obteve-se os extratos oleosos de urucum, aquoso e
etanólico de trigo. Na sequência confeccionou-se duas fórmulas farmacêuticas
distintas, a primeira contendo os extratos oleoso de urucum e aquoso de trigo
(LCF2001) e a segunda com os extratos oleoso de urucum e etanólico de trigo
(LCFT2002). No estudo in vitro as formulações foram avaliadas frente a isolados
Sporothrix em relação a suscetibilidade antifúngica e teste de sinergismo, o extrato
etanólico de trigo e o extrato oleoso de urucum apresentaram ação antifúngica isolado,
no entanto, em sinergismo apresentaram efeito antagônico. No estudo in vivo em
modelo murino para avaliação da timomodulina, LCFT2001 e LCFT2002 foi induzido
experimentalmente esporotricose em ratos wistar e estes tratados diariamente com:
formulação tópica LCFT2001 (GF1); formulação tópica (GF2); timomodulina,
itraconazol e formulação LCFT2001 (GITF1); timomodulina, itraconazol e formulação
LCFT2002 (GITF2); timomodulina e itraconazol (GIT); timomodulina (GT); controle
positivo, itraconazol (GI); controle negativo, sem tratamento (GCN). Aos quatro, 11,
18, 30 e 42 dias, avaliou-se a efetividade dos tratamentos por dados clínicos,
avaliação micológica (quantificação de carga fúngica e retroisolamento) e histológica
(padrão de lesão tecidual). Foi possível observar que os grupos GF2, GITF1 e GITF2
diferenciou-se clinicamente dos outros grupos demonstrando maiores valores de
sinais inflamatórios no início do período experimental e decrescendo com o tempo de
tratamento. Os grupos GIT, GITF1 e GITF2 reduziram a carga fúngica, diferenciando
positivamente dos grupos controles. Esses grupos na histologia demonstram maior
quantidade de linfócitos e menor quantidade de células fúngicas, ademais, o GITF2
apresentando fibrose madura antes os demais grupos. No ensaio clínico em felinos
para avaliação da timomodulina e LCFT2002 foram estudados gatos com
esporotricose naturalmente. Para isso foi realizada um estudo prospectivo analisando
o tratamento com itraconazol, timomodulina e formulação tópica LCFT2002 (GITF);
itraconazol e timomodulina (GIT); itraconazol e formulação tópica LCFT2002 (GIF); e
itraconazol (GI) por 60 dias. Os felinos foram submetidos a avaliação clínica, citológica
(quantificação de leveduras nas lesões) e histológica (padrão de lesão tecidual).
Constatou-se que o grupo GIT apresentou melhor desfecho clínico, não apresentando
nenhuma falha terapêutica, no entanto, o grupo GITF apresentou uma redução da
quantidade de células fúngicas e área das lesões em menor tempo. Além disso, na
histológia observou que o grupo GITF apresentou maior quantidade de linfócitos,
células epitelioides e fibrose com o tratamento.Destacando que o tratamento com
timomodulina e formulação tópica LCFT2002 como adjuvantes aumenta resposta
inflamatória, potencializando o tratamento com itraconazol. A tese resultou em três
artigos, para os periódicos Revista Observatório de La Economia Latinoamericana,
Mycoses e Ciência Animal.

