Efeitos das formulações dos agroquímicos imazetapir e quincloraque em linhagem celular de fígado de peixe-zebra (ZF-L) (Danio rerio): citotoxicidade e estresse oxidativo

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Data
2024-07-24Autor
Ferrer, Edila Maria Kickhöfel
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O Brasil, além de ser um dos países que mais utilizam agroquímicos atendendo às
exigências legais, também apresenta indícios de utilização de agroquímicos ilícitos.
Diversos estudos apontam os efeitos nocivos destes produtos lícitos, em organismos
não-alvos, tanto em ensaios in vitro quanto in vivo. O objetivo deste estudo foi
avaliar a citotocicidade e o estresse oxidativo, in vitro, das formulações apreendidas
de herbicidas imazetapir (IMZT) e quincloraque (QCR) utilizando linhagem celular
hepática ZF-L do peixe zebrafish. O ingrediente ativo nas amostras foi identificado
por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM). Também
foram realizados os testes de estabilidade térmica de análise termogravimétrica
(TGA) e a análise de calorimetria exploratória diferencial (DSC). Nas análises
térmicas de TGA, foi demonstrado que ocorreu a perda total de massa a 400ºC para
as duas amostras e, na de DSC, os herbicidas apresentaram vários eventos de
transições físico-químicas. A citotoxicidade, inicialmente, foi avaliada pela atividade
hemolítica (AH), utilizando sangue de carneiro desfibrinado (IMZT: 4,82 a 308,64
µg/mL e QCR: 2,63 a 84,82 µg/mL) e, posteriormente, pelos ensaios MTT, vermelho
neutro (VN), lactato desidrogenase (LDH), utilizando a linhagem celular hepática do
peixe-zebra (ZF-L), expostas aos herbicidas (IMZT: 0,44 a 28,06 µg/mL e QCR: 0,27
a 7,67 µg/mL). O estresse oxidativo foi avaliado pelas determinações das espécies
reativas de oxigênio (ERO), do teor total de sulfidrilas (SH) e das atividades
antioxidantes da superóxido dismutase (SOD), da catalase (CAT) também em
células ZF-L, expostas a 1/2x, 1x e 2x da mediana dos IC50 dos ensaios de
citotoxicidade. O período de exposição das células ZF-L aos herbicidas foi de 24
horas. No ensaio hemolítico, os eritrócitos foram afetados nas concentrações mais
elevadas tanto para o IMZT (19,29 a 308,64 µg/mL) quanto ao QCR (21,08 a 84,82
µg/mL) e apresentaram IC50 de 12,75 µg/mL e 19,83 µg/mL, respectivamente. Nos
ensaios de MTT, NR e LDH, ambos os herbicidas afetaram as organelas
mitocondrial e lisossomal e a integridade da membrana plasmática. As IC50 do IMZT
foram de 3,01, 2,67 e 1,61 µg/mL, respectivamente, e para o QCR foram de 1,78,
5,13 e 0,95 µg/mL, respectivamente. A partir dessas concentrações de IC50, foi
estimado o valor da mediana que correspondeu a IC50 de 2,84 µg/mL (IMZT) e 3,46
µg/mL (QCR). Os resultados das IC50 das medianas foram utilizados nos ensaios de
estresse oxidativo. Tanto o IMZT quanto o QCR aumentaram a produção de ERO e
promoveram alterações no sistema antioxidante do teor total de SH, da SOD e da
CAT. Até onde sabemos, este é o primeiro estudo que reporta o efeito citotóxico in
vitro e do estresse oxidativo induzidos por formulações apreendidas de herbicidas
contendo IMZT e QCR, na linhagem celular ZF-L. Em conjunto, esses resultados
indicam a importância de ensaios in vitro para a avaliação da toxicidade de
agroquímicos, pois demonstram os efeitos nocivos que podem afetar a saúde
humana e o meio ambiente.
