Avaliação preditiva de desempenho lumínico e termoenegético de fachadas duplas ventiladas em edifício de escritórios, no extremo sul do Brasil
Resumo
A envoltória de um edifício desempenha um papel fundamental nas interações com o meio externo, atuando como uma capa protetora que separa o ambiente interno do externo. Ela regula a transferência de calor e controla a entrada de luz natural, mantendo um equilíbrio entre as perdas e ganhos energéticos decorrentes do ambiente exterior. Para gerenciar essa situação, as fachadas duplas ventiladas têm sido reconhecidas como uma estratégia passiva para equilibrar os ganhos oriundos da radiação solar. Isso é alcançado por meio de uma cavidade ventilada que favorece o controle do aquecimento e resfriamento passivo, gerando um fluxo de ar na área criada pela adição de uma segunda pele, que é posicionada a uma certa distância da construção. Contudo, o desempenho dessas fachadas é influenciado por fatores como a geometria da compartimentação da pele dupla, tipo de envidraçamento, as formas de ventilação, origem e direção e fluxo de ar bem como a espessura da cavidade. Dessa forma, este trabalho teve como objetivo fazer uma avaliação preditiva de desempenho lumínico e termoenergético de sistemas de fachadas duplas ventiladas em associação a diferentes tipos de vidros e configuração espacial interna, em um edifício de escritórios, localizado na Zona Bioclimática 2R. A metodologia adotada consistiu na simulação computacional dinâmica por intermédio dos softwares ClimateStudio para as avaliações da luz natural e o EnergyPlus para as termoenergéticas. Os resultados apontaram que a tipologia de fachada dupla do tipo corredor apresentou-se como a alternativa mais adequada para equilibrar ambos desempenhos avaliados. Observou-se que a compartimentação horizontal dos corredores individuais na fachada mostrou-se eficaz para a ventilação natural, bem como na redução da demanda para climatização do edifício, além de proporcionar acesso luminoso satisfatório. O envidraçamento baixo emissivo V1, de alta transmissão visível e baixo fator solar, apresentou a melhor performance na qualidade da luz natural e no consumo total de energia para o contexto climático do sul do Brasil. A configuração espacial interna impactou diretamente no desempenho lumínico e termoenergético nos ambientes de escritórios, e a de planta livre permitiu melhor acesso da luz natural em toda a área ocupada, enquanto a configuração espacial de escritório celular se mostrou menos eficiente para a autonomia espacial da luz do dia.

