Efeito da temperatura durante a diferenciação de gemas, floração, crescimento e desenvolvimento de frutos em pessegueiro na região de Pelotas, RS.
Resumen
As horas de frio necessárias às gemas vegetativas e floríferas, quando insuficientes,
limitam a produção de pessegueiros nas zonas subtropicais e temperadas
brasileiras. A redução na produtividade pode ocorrer também, devido a variações
bruscas na temperatura durante os períodos de diferenciação das gemas, préfloração,
floração, crescimento e desenvolvimento dos frutos desta espécie. Estas
variações de temperatura podem ser uma das causas da instabilidade produtiva de
algumas cultivares de pessegueiro. Muito dos problemas que se verificam, após a
floração ou mesmo na colheita, como baixa produtividade, atribuídos muitas vezes,
apenas às condições de inverno com pouco frio que ocorrem no sul do Rio Grande
do Sul, podem ter origem em etapa anterior do desenvolvimento e, muito
provavelmente, na diferenciação floral. Com os objetivos de estudar a influência de
altas temperaturas sobre diferenciação de gemas, pré-floração, floração, frutificação
efetiva, crescimento e desenvolvimento de frutos, foram realizadas observações no
avanço dos estádios de diferenciação das gemas, épocas de brotação e floração,
testes de viabilidade e produção de pólen. Foram, ainda, feitas observações na
morfologia e biologia floral, frutificação efetiva, crescimento e desenvolvimento dos
frutos. A elevação da temperatura foi proporcionada com a utilização de casas de
plástico ou através do ensacamento dos ramos com mangas de plástico
transparente ou garrafas de plástico. Foram utilizadas plantas de duas cultivares
comerciais de pessegueiro de baixa necessidade de frio (200 a 300 horas): Granada
e Maciel em 2003, 2004 e 2005. Não há a formação de pistilos duplos ou quaisquer
anomalias morfológicas mesmo sob temperaturas maiores que 25°C durante o
período de diferenciação das gemas das cultivares de pessegueiro Granada e
Maciel. Há diferenças entre cultivares e entre temperaturas de incubação quanto à
porcentagem de germinação do pólen in vitro. A viabilidade do pólen das cultivares
de pessegueiro testadas (Esmeralda, Granada, Jade e Maciel) pode ser avaliada por
germinação in vitro em meio de cultura padrão (10% de sacarose + 1% de agar,
dissolvidos em água destilada), três horas após a inoculação, com incubação a 24°C
e 28°C. Ensacamento de ramos com plástico transparente ou com garrafas de
plástico, é uma forma simples e econômica de aumentar a temperatura junto aos
ramos das plantas, em condições de campo, sendo mais efetivo que o uso de
estufas de plástico. Conclui-se que em condições de temperaturas elevadas, durante
a pré-floração, ocorre a antecipação da antese das flores para as cultivares Granada
e Maciel. A morfologia das flores, em relação ao comprimento e ao peso dos pistilos,
não é influenciada pela elevação da temperatura nas condições experimentais
utilizadas. Temperaturas elevadas durante a pré-floração, influenciam negativamente
na frutificação efetiva da cultivar de pessegueiro Granada. Em condições de
temperaturas, elevadas durante o estádio I de crescimento e desenvolvimento dos
frutos, para as cultivares de pessegueiro Granada e Maciel, há uma tendência de
formação de um maior número de células do pericarpo, o que ampliaria o potencial
da produção de frutos com maior tamanho.