Variabilidade de solos hidromórficos: uma abordagem de espaço de estados
Resumo
A sistematização do solo é uma técnica utilizada em regiões planas, com
características de várzea, e tem por objetivo aperfeiçoar o uso agrícola facilitando o
manejo da água tanto de irrigação como de drenagem, as operações de implantação
da lavoura, de tratos culturais e de colheita. No entanto, a sistematização do solo
provoca alterações no ambiente físico onde a planta se desenvolve, sendo que
muitos estudos têm buscado identificar o efeito dessa prática na estrutura de
variabilidade espacial e no relacionamento entre os atributos físico-hídricos e
químicos do solo. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi identificar e caracterizar
a estrutura de variabilidade espacial dos atributos físico-hídricos e químicos de um
solo de várzea, antes e depois da sistematização, assim como estudar o
relacionamento entre esses atributos por meio de um modelo autoregressivo de
espaço de estados. Em uma área experimental de 0,81 ha pertencente a Embrapa
Clima Temperado, Capão do Leão-RS, foi estabelecida uma malha regular de 100
pontos, espaçados de 10 m entre si em ambas as direções. Em cada ponto foram
coletadas amostras de solo deformadas e com estrutura preservada na profundidade
de 0-0,20 m para a determinação, antes e depois da sistematização, dos teores de
argila, silte e areia, macroporosidade, microporosidade e porosidade total, densidade
do solo, conteúdo de água retido na capacidade de campo e ponto de murcha
permanente, carbono orgânico e capacidade de troca de cátions. Os dados foram
organizados em uma planilha de cálculo na forma de uma transeção espacial
composta de 100 pontos e foram ordenados seguindo o gradiente de declividade da
área resultante do processo de sistematização do solo. Para avaliar a estrutura de
correlação espacial foram construídos autocorrelogramas e crosscorrelogramas que
serviram de subsídio para a seleção de variáveis em cada um dos modelos
autoregressivos de espaço de estados. Os resultados mostram que a sistematização
do solo alterou a estrutura de dependência espacial tanto da variável como entre as
variáveis deste estudo. A capacidade de troca de cátions e a microporosidade do
solo foram as variáveis que compuseram o maior número de modelos de espaço de
estados, antes e depois da sistematização. A contribuição da variável na posição i-1
na estimativa na posição i, por meio do modelo autoregressivo de espaço de
estados, aumentou com a sistematização para as variáveis teor de areia, teor de
silte, densidade do solo, microporosidade, macroporosidade, conteúdo de água no
solo retido no ponto de murcha permanente, carbono orgânico e da capacidade de
troca de cátions; e diminuiu para a variável conteúdo de água no solo retido na
capacidade de campo.A sistematização do solo melhorou a estimativa, por meio dos
modelos de espaço de estados, das variáveis carbono orgânico, teor de areia,
densidade do solo, macroporosidade e do conteúdo de água no solo retido na
capacidade de campo e no ponto de murcha permanente, sendo o modelo da
variável porosidade total, antes da sistematização, que apresentou o melhor
desempenho. Já os piores desempenhos dos modelos, depois da sistematização do
solo, foram encontrados quando utilizadas as variáveis teor de silte, microporosidade
e capacidade de troca de cátions como resposta.

