Aspectos epidemiológicos e controle de theileriose equina na região da campanha do Rio Grande do Sul Brasil, 2010
Resumen
A theileriose equina, causada pelo hemoprotozoário Theileria equi, é uma doença endêmica na região da campanha do Rio Grande do Sul. Há indícios de que o carrapato Rhipicephalus Boophilus microplus transmita também a theileriose equina e, há pouco tempo, estudos demonstraram experimentalmente esta transmissão. O objetivo do primeiro trabalho foi demonstrar a infestação de carrapatos Rhipicephalus Boophilus microplus e o papel importante deste parasita na transmissão de theileriose equina. Em cavalos com contato direto com bovinos, a incidência sorológica da doença foi de 81,8%, sendo que em 31,8% destes animais se encontrou carrapatos Rhipicephalus Boophilus microplus. Nos equinos sem contato com bovinos, a incidência sorológica foi de 12% e não se encontrou carrapatos. Diversos estudos têm demonstrado a eficiência no tratamento da doença com dipropionato de imidocarb em diferentes doses, porém a toxicidade deste fármaco se manifesta em alguns animais. A forma aguda é caracterizada por febre, icterícia e morte. A forma crônica é descrita por pêlo arrepiado, hiporexia, queda no desempenho em animais atletas e perda de peso. O objetivo do segundo trabalho foi demonstrar a toxicidade e os efeitos metabólicos do dipropionato de imidocarb em duas doses terapêuticas (2 e 4mg/kg). Foi sugerido, através do perfil hepático e renal, após a administração da droga, que 2mg/kg deste fármaco tem uma toxicidade leve e temporária no período de metabolização da droga. Uma vez infectados com a T. equi, os equinos permanecem a vida toda positivos para a doença. Com isso o controle da enfermidade depende da utilização do dipropionato de imidocarb. O objetivo do terceiro trabalho foi demonstrar, através do teste de imunofluorescência indireta e exame clínico, que doses mensais de dipropionato de imidocarb á 2 mg/kg são eficazes para se manter a parasitemia e a clínica da doença controladas, mesmo que os animais sejam submetidos á situações de estresse. Um grupo recebeu mensalmente, por seis meses, 2mg/kg de dipropionato de imidocarb e o outro grupo, 4mg/kg apenas uma vez no primeiro mês. A conclusão desta dissertação é que a incidência da theileriose equina tem relação direta com a convivência com bovinos por facilitar a infestação destes com o carrapato Rhipicephalus Boophilus microplus; e que, doses mensais de dipropionato de imidocarb, à 2mg/kg, são eficazes no controle da parasitemia da doença mesmo em situações de estresse e não se demonstram tòxicas para os equinos.