Atividade antimicrobiana in vitro e antidiarréica em modelo experimental de extratos de folhas de plantas da família Myrtacea
Resumen
O uso de plantas medicinais no tratamento de enfermidades acompanha a história
da humanidade. Em países do terceiro mundo, incluindo o Brasil, onde 70-80% da
população não tem assistência farmacêutica, as plantas medicinais são utilizadas
como alternativa terapêutica. Avaliar a atividade antimicrobiana in vitro e in vivo de
extratos da plantas da família Myrtaceae frente a microrganismos que causam
diarréia e seu efeito sobre motilidade intestinal através de modelo biológico em
ratos. Foram selecionadas três plantas da família Myrtaceae utilizadas popularmente
no tratamento de diarréia: goiabeira (Psidium guajava L.), pitangueira (Eugenia
uniflora L.) e araçazeiro (Psidium cattleyanum Sabine) pertencentes à COOPAVA
(Cooperativa de Produção Agropecuária Vista Alegre). Foram preparados extratos
hidroalcóolicos e óleos essenciais com folhas das plantas colhidas em três fases
fenológicas: frutificação, floração e repouso. Os extratos foram testados quanto a
sua atividade antimicrobiana frente a (Escherichia coli, Salmonella typhimurium e
Staphylococcus aureus). Além dos extratos hidroalcóolicos foram preparados óleos
essenciais das três plantas e testados frente aos mesmos microrganismos e alguns
de seus contituintes foram identificados por em cromatográfico a gás acoplado ao
espectrômetro de massas-GC/MS. O extrato hidroalcóolico e um infuso de araçá
com melhor resultado in vitro foi escolhido para o teste de avaliação da atividade
antidiarréica da planta in vivo. Os testes in vitro foram realizados através da técnica
de Microdiluição em Caldo para avaliação da atividade bactericida mínima (CBM).
Os testes in vivo foram realizados através do teste de indução da diarréia com óleo
de rícino em ratos. Os constituintes encontrados em todas as plantas através da
análise cromatográfica foram o α-Copaene e α-Humulene. O melhor resultado do
extrato hidroalcóolico frente ao S. aureus foi o preparado com as folhas frescas de
goiabeira colhidos durante a época de floração com média geométrica entre
quadruplicatas de 3,25%, frente a S. typhimurium as três plantas apresentaram
atividade bactericida na concentração de 25% com os extratos colhidos na época de
frutificação e folha seca (araçazeiro e pitangueira) e durante o repouso com folha
fresca e seca de goiabeira. Frente a E. coli, a concentração bactericida mínima foi de 25% com o extrato de folha de pitangueira seca colhida no repouso, folha seca
araçazeiro colhida na época de frutificação e folha seca de goiabeira colhida no
repouso. O óleo de goiabeira apresentou atividade bactericida frente a E.coli na
concentração de 2%, e frente ao S.aureus e S. typhimurium na concentração de 8%.
O óleo de araçá não apresentou atividade bactericida frente aos microrganismos
testados e o óleo de pitangueira apresentou atividade bactericida na concentração
de 8% frente ao S.aureus e S. typhimurium. Com o método utilizado, o extrato
hidroalcóolico e o infuso das folhas secas colhidas na época de frutificação do araçá,
não apresentaram atividade antidiarréica.