Barreiras para a prática de atividades físicas durante e após o período de distanciamento social da pandemia da Covid-19: estudo descritivo com crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista de Canguçu/RS
Abstract
O autismo é um transtorno complexo e abrangente do neurodesenvolvimento,
caracterizado por déficit na interação social, na comunicação, e pela presença de
comportamentos restritos e estereotipados. Com o início da pandemia da COVID-19,
crianças e adolescentes com TEA foram particularmente afetadas pelas medidas de
contenção do vírus, visto que necessitam de acompanhamento multidisciplinar de
forma integral e constante. O objetivo do estudo foi identificar as principais barreiras
para a prática de AF durante e após o período de distanciamento social da pandemia
da COVID-19 de crianças e adolescentes com TEA de Canguçu/RS. Participaram do
estudo 60 crianças e adolescentes com TEA, com idade entre 2 e 17 anos,
matriculados na APAE da cidade de Canguçu/RS, onde foi realizado uma entrevista
face a face, com os pais ou responsáveis dos participantes. Entre os resultados
encontrados, as barreiras ambientais foram as mais reportadas para crianças e
adolescentes com TEA praticarem AF, dentre as mais indicadas durante a pandemia
foram o fechamento das escolas e a não realização das aulas presenciais. Assim
como, não haver oportunidades de AF gratuitas e com orientação próximas a sua
casa, e não haver locais próximos de casa para a prática de AF foram as outras
duas barreiras ambientais mais relatadas para a prática de AF, tanto durante quanto
após o distanciamento social da pandemia. Os resultados apontam que o período da
pandemia teve efeitos educacionais, físicos e sociais em indivíduos com TEA e que
as barreiras ambientais, de acordo com a percepção dos pais, são as que mais
dificultam a prática de AF de seus filhos, tanto durante, quanto após o
distanciamento social da pandemia da COVID-19.